RIO DE JANEIRO- A certificadora DeGolyer & MacNaughton reduziu as estimativas das reservas do campo de Tubarão Martelo, da OGX, petroleira de Eike Batista, empresa que está em vias de entrar em recuperação judicial.

As reservas provadas e prováveis caíram para 87,9 milhões de barris na avaliação divulgada nessa quinta-feira (3) pela empresa.
Já as reservas provadas, prováveis e possíveis, menos precisas, seriam da ordem de 108,5 milhões de barris.
Em fevereiro de 2012, a certificadora havia estimado recursos contingentes (potencialmente recuperáveis) de 212 milhões de barris.

Apesar das estimativas agora serem menores, são mais precisas do que a anterior, ressaltou a companhia, o que fez as ações da empresa subirem no pregão de hoje. Às 13h, as ações da companhia subiam 4,55%, cotadas a R$ 0,23.
A revisão, apesar de diminuir um pouco a estimativa, já era esperada pelo mercado e foi bem recebida, por ser mais realista do que os números anteriores.

Aposta
Tubarão Martelo é a nova aposta da OGX para tentar obter alguma receita, depois do fracasso em Tubarão Azul, na mesma bacia. Também próximos a esses campos, foram devolvidos pela OGX à ANP os campos de Tubarão Tigre, Tubarão Azul e Tubarão Areia.

Tubarão Martelo tem previsão de entrar em operação até o final deste ano. A produção depende ainda de uma licença ambiental do Ibama e de instalações que ainda estão sendo feitas no local. A plataforma OSX-3 já chegou ao campo e será interligada aos poços, informou a companhia.
A OGX ainda busca para esse campo a parceria com a Malaia Petronas, que pisou no freio da sociedade onde terá 40% após o agravamento dos problemas da OGX. A OGX está com o endividamento acima do seu patrimônio e não deve escapar de entrar em recuperação judicial.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo) tem afirmado que a entrada da Petronas no campo de Tubarão Martelo depende da entrega de documentos por parte da empresa da Malásia.

Segundo a OGX, a data de entrada em operação do campo de Tubarão Martelo ainda está programada para dezembro deste ano.
Já Tubarão Azul, que não produziu em agosto e setembro, deve voltar a operar em meados de outubro, segundo a OGX.
A queda de produção de Tubarão Azul foi o estopim da crise do grupo EBX, em meados do ano passado, quando a empresa admitiu que o campo não iria produzir o volume prometido. Em 2011, a OGX alardeava que cada poço de Tubarão Azul iria produzir cerca de 15 mil barris diários de petróleo, produção que não chegou a 10 mil na soma de três poços perfurados.