O destaque, mais uma vez, foi que a inflação de junho medida pelo IPCA ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo governo, quando considerada a inflação dos últimos 12 meses. Esse destaque obscurece o que realmente interessa na pesquisa divulgada pelo IBGE na manhã da última sexta-feira (5): que a pressão inflacionária está diminuindo, puxada pela baixa dos preços dos alimentos. O do tomate, que era o vilão no começo do ano, caiu 7,21% em junho.
 
Mais relevante para a presidente Dilma Rousseff, cuja popularidade é maior entre eleitores com renda menor, é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que havia subido 0,35% em maio, aumentou apenas 0,28% em junho, fazendo com que primeiro semestre a alta ficasse em 3,3%. Para esses consumidores com renda familiar de até cinco salários mínimos, não houve no mês passado aumento no preço médio dos alimentos, conforme o INPC. 
 
No IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, o grupo alimentação e bebidas apresentou forte desaceleração, de 0,31% em maio para 0,04% em junho. Este é o menor resultado desde julho de 2011. Por causa da elevação nos primeiros meses do ano, o grupo fechou o primeiro semestre em 6,02%. O teto da meta de inflação medida pelo IPCA é de 6,5%, mas somou 6,7 % nos últimos 12 meses, com forte contribuição das tarifas de ônibus, que subiram 2,61% em junho.
 
Esses dados indicam que o fantasma da inflação está perdendo forças. Por outro lado, a queda da produção industrial, outro fantasma que espanta um planeta que ainda não se recuperou da crise financeira internacional de 2008, ainda ronda o Brasil. Na sexta-feira, o IBGE revelou que em maio a produção industrial caiu 2%, em comparação com abril. Foram pesquisados 14 estados e em nove deles houve queda, com destaque para São Paulo, que produziu 3,7% menos. Minas está entre os cinco onde houve crescimento, com alta de 1,1%. Na comparação com maio de 2012, a alta é de 1% em Minas e de 1,4% em todo o país.
 
Também na sexta-feira, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Construção Civil, que subiu 7,8% em junho. O principal motivo para essa alta foi a volta da cobrança da contribuição social sobre a folha de pagamento das empresas da construção civil, com o fim da desoneração que vigorou em abril e maio. Esse retorno da cobrança foi motivado pela perda de validade da medida provisória que criou a isenção. O índice acumula alta de 4,1% no primeiro semestre deste ano.