Os brasileiros perderam, em um ano, mais de 100 bilhões de pontos nos programas de recompensa dos cartões de crédito. Fazendo as contas, as milhas que expiraram seriam suficientes para emitir aproximadamente cinco milhões de passagens aéreas entre o Brasil e qualquer destino da América do Sul. Os cálculos são do Banco Central, e referem-se a 2011. Nos próximos meses, a instituição irá repetir o levantamento, com base em 2012. E tudo leva a crer que o diagnóstico será bem parecido. 
 
Por esquecimento das milhas acumuladas, que acabam perdendo a validade, ou desconhecimento do sistema, milhares de passageiros deixam de viajar sem ter que gastar. Conforme explica a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro teste), Maria Inês Dolci, a política de milhas dos cartões de crédito é administrada pelos bancos emissores de cartão. Portanto, cada um tem suas próprias normas. Mas todas as instituições são obrigadas a deixar as regras de seus programas de fidelidade claras e disponíveis. O que, segundo ela, nem sempre acontece. 
 
“Os consumidores devem se informar bem sobre o regulamento e as condições de uso para não se frustrarem”, aconselha a advogada. Geralmente, cada 1 dólar gasto se transforma em 1 ponto. E cada ponto vale uma milha. Mas há variações. Já o prazo para validade costuma ser de 24 meses, mas alguns expiram em apenas um ano. 
 
Para chegar a obter a vantagem de não desembolsar um centavo para voar de um local a outro, também é preciso ter paciência para resgatar as milhagens, em alguns casos. Como os assentos são limitados, a antecedência para marcar a viagem é importante. “Quanto antes se programar, mais opções terá o consumidor”, diz. Outra dica é utilizar as milhas em trajetos mais longos, que geralmente são mais caros. 
 
Acumular pontos em um único programa também é mais vantajoso. É o que faz o gerente de web e professor de pós-graduação do Ibmec, Fabrízzio Nardi. Todos os seus gastos do dia a dia, do combustível para o carro até o pãozinho da padaria, são pagos com cartão de crédito. Os pontos adquiridos com as compras vão parar no programa de fidelidade de sua companhia preferida. Assim, ele já foi para São Paulo, Rio e praias do Nordeste. 
 
“Viajo de três a quatro vezes por ano de graça, só usando as milhas”, revela. Para não perder o controle dos gastos e estourar a fatura, Fabrízzio recebe no celular, via SMS, informativos de tudo o que pagou com o dinheiro de plástico. Depois, lança em um aplicativo.   “Não tem erro. O programa de milhagem é muito interessante para quem sabe usar”, descreve.