A Polícia Federal informou que o homem detido nesta quinta-feira (9), no voo Azul 5195 foi encaminhado para a Cadeia Pública de Salvador e será acusado de atentado contra a segurança do transporte aéreo. A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão. Já a mulher, que de acordo com a PF tem menos de 18 anos, foi ouvida e liberada à tarde, quando voltou para Natal. A polícia não divulgou a identidade do homem.

O voo decolou às 3h46 (horário local) de Natal (RN), com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), mas teve de fazer uma parada não programada em Salvador (BA), depois que o casal promoveu uma confusão a bordo, com direito a xingamentos e agressões contra os tripulantes do voo.

O casal foi detido pela Polícia Federal e os cerca de 115 passageiros tiveram de aguardar acomodação em outros voos para seguir viagem.Segundo a Polícia Federal, o homem, que não teve a identidade divulgada, segue preso na capital baiana.

Segundo testemunhas do caso, a confusão começou ainda antes do embarque, no aeroporto da capital potiguar, quando o casal começou a discutir. "É uma situação que poderia ter sido evitada antes de o avião partir", diz a relações públicas Carmen Diehl, que estava no voo.

Logo depois de o avião decolar, os envolvidos teriam retomado a discussão. Mais exaltado, o homem ficou de pé, à frente da poltrona, enquanto os avisos luminosos ainda indicavam que os passageiros deveriam ficar sentados, com os cintos de segurança afivelados. Repreendido por uma comissária de bordo, o homem passou a insultá-la.

Na sequência, o passageiro tirou a camisa e chegou a arremessar um chinelo na direção da funcionária da companhia aérea, enquanto seguia insultando os integrantes da tripulação. "Durante toda a gritaria dele, a mulher ficou calada, sem participar da confusão", contou o cenógrafo Ezequiel Tibúrcio, que também estava no voo. "Ela chegou a ir para o fundo do avião, tentando sair da situação, mas todo mundo sabia que eles estavam juntos."

Sem conseguir conter o homem, uma das comissárias deu voz de prisão a ele e teve de contar com o apoio de outros passageiros para imobilizá-lo. O piloto decidiu fazer a parada não programada em Salvador, para que o casal fosse desembarcado e levado para a Polícia Federal. O pouso ocorreu por volta das 5 horas (horário local).

O ator e diretor teatral Marcelo Bones, que estava no voo, contou em sua página no Facebook ter sido ele a atar as mãos do homem, com fita adesiva. "Pousamos (em Salvador), a Polícia Federal entrou no avião, prendeu os dois e levou piloto e equipe para testemunhar", relatou.

Os passageiros, porém, tiveram de esperar para continuar a viagem, já que não havia outra tripulação da companhia para seguir com o voo. "Duas horas e meia depois, todos os passageiros (estavam) apertados numa salica (sic) de espera, esperando um delegado de Polícia Federal chegar ao aeroporto para liberar a tripulação, que foi ser testemunha do caso", reclamou Bones. Ele conseguiu embarcar em outro voo por volta das 11h30.

Por meio de nota, a Azul confirmou que o pouso não programado em Salvador foi causado pelo "comportamento inconveniente de dois passageiros que estavam a bordo da aeronave" e afirmou que os demais passageiros receberam "toda a assistência necessária" e foram "reacomodados em outros voos". A companhia aérea também disse que "lamenta eventuais transtornos ocorridos a seus clientes".