RIO DE JANEIRO – Com o objetivo de diminuir o tempo de espera de centenas de pacientes com problemas no quadril, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), iniciou nesta segunda-feira (4) o primeiro mutirão de cirurgias no novo prédio, inaugurado há cerca de um ano na zona portuária do Rio.  Até sexta-feira (8), uma equipe de 40 profissionais, entre eles sete cirurgiões, vai operar 100 pacientes que precisam de prótese de quadril.

De acordo com o ortopedista Marco Bernardo Cury, com a nova estrutura - são 21 salas em comparação com as sete do prédio anterior - e a ampliação do número de leitos, quantidade de cirurgias será gradativamente ampliada. No entanto, somente será possível fazer com que a espera por cirurgias - que hoje chega a três anos - pare de crescer em dois anos.

“Operamos por ano, nesta fase de adaptação, 800 cirurgias de quadril. Para acabar com a fila, eu teria que fazer aproximadamente 1.500 cirurgias por ano. Como o número de cirurgias tende a dobrar, acredito que em dois anos vamos conseguir fazer cirurgias aqui em um volume tão grande quanto o de pacientes, e a partir daí ir diminuindo progressivamente”, comentou ele.

Em dezembro passado, milhares de pessoas fizeram fila na porta do hospital para conseguir uma senha de atendimento, provocando grande tumulto e insatisfação da população. O Ministério da Saúde então mudou o esquema de marcação da consulta, que atualmente é feito nas unidades básicas de saúde.

Cury explicou que a espera para a colocação de próteses de quadril costuma ser maior que em outras cirurgias, devido à sua complexidade. “É um tipo de cirurgia que demora mais para ser efetuada, então o paciente fica mais tempo internado e temos uma rotatividade de leitos menor do que em outras cirurgias”.

A artrose é uma das patologias com maior incidência na população mundial. As cirurgias envolvendo artrose são as maiores demandas do hospital, juntamente com as de fratura.

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Annita Mello, de 80 anos, mal conseguia andar devido a uma artrose no quadril direito até ser operada há três meses no instituto. “Esperei só 11 meses”, disse ela. O tempo de espera menor que a média deveu-se ao fato de ser idosa. “Era muita dor”, lembrou a Annita, que andava com a ajuda de uma muleta.

O novo diretor do Into, Marcos Esner Musafir, há 15 dias no cargo, informou que uma das prioridades da nova gestão será a valorização dos médicos.

“Nossa expectativa é aumentar o número de procedimentos, mas precisamos valorizar mais os profissionais. Os salários estão muito defasados, mas o Ministério da Saúde está estudando com o Ministério do Planejamento uma forma de compensar essa deficiência, pois é um estímulo, uma motivação a mais para as pessoas trabalharem além do seu horário”, explicou.

Hoje, segundo ele, os salários no instituto variam entre cerca de R$ 1.900 e R$ 6 mil. Musafir adiantou que já estão previstos, entre outros, mutirões para cirurgias de joelho e coluna, também bastante disputadas. “Este é um hospital de referência, há pessoas que preferem esperar para serem atendidas aqui, pela credibilidade hospitalar do Into, do que serem operadas em outro lugar”, completou.

Ambos os médicos ressaltaram que com a população vivendo cada vez mais e a medicina cada vez mais avançada, o número de pessoas precisando de cirurgia só tende a aumentar e que desta forma é importante que haja uma rede integrada e colaborativa entre todos os hospitais no estado.