Como tem sido dito quase à exaustão no HD Auto, o segmento de utilitários-esportivos (SUV’s) se tornou o de maior interesse do consumidor. Diante disso, o que não faltam são jipinhos com as mais variadas propostas e até mesmo automóveis que se travestem de utilitários de olho nesse filão de mercado. O Honda WR-V segue essa toada. 

O modelo, que nada mais é que uma versão anabolizada do Fit, chega justamente para atender essa demanda por SUV’s e se posiciona na base do segmento. Com alterações de suspensão, seção frontal redesenhada e um monte de enfeites plásticos, o WR-V se veste de jipinho da mesma forma que o Fiat Idea Adventure. 

Aplicação fora de estrada ele não tem, tal como boa parte dos concorrentes. Mas, convenhamos, muitos que compram um SUV não o querem para enfrentar lama ou pirambeira. É para se impor diante dos demais no trânsito. 

O carro
Testamos a versão topo de linha EXL, que tem preço sugerido de R$ 83.400 (R$ 3.500 a mais que o Fit EXL). O WR-V oferece o mesmo pacote de conteúdo do monovolume, assim como o bom comportamento e consumo moderado. Em nosso teste registramos média de 9,6 km/l no combinado entre percurso urbano e rodoviário, abastecido com álcool, apesar de ser 48 quilos mais pesado que o irmão já citado. 

Comparado ao Fit, sobrepreço não é um valor muito alto e, por incrível que pareça, seus caríssimos R$ 83 mil conseguem ficar abaixo de jipinhos que também utilizam transmissão automática. No entanto, é bem mais caro que seu único concorrente por ofício, o Citroën Aircross, que de SUV também só tem o uniforme.

 

Raio-X Honda WR-V EXL 1.5 

O que é?
Monovolume aventureiro, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Sumaré (SP).

Quanto custa?
R$ 83.400 

Com quem concorre?
Apesar de a Honda classificá-lo como SUV compacto, o WR-V é uma derivação do monovolume Fit. Nesse caso, seu único rival é o Citroën Aircross, que na versão Auto Shine 1.6 Automático parte de R$ 75.695.

No dia a dia
O WR-V é um automóvel tão agradável no uso cotidiano quanto o Fit. A posição de dirigir é boa, assim com a distribuição dos instrumentos. O espaço interno é generoso e o espaço para bagagem (363 litros) não compete com um sedã, mas dá para levar a tralha de um casal com um filho. Para quem tem família ou gosta de levar a casa dentro do carro, ele é cheio de porta-trecos.

Seus 4 metros de comprimento fazem dele um carro ágil no trânsito e fácil de estacionar. A versão EXL conta com câmera de ré, mas não tem sensores. Então é bom não esperar o apito e ficar de olho nos retrovisores e também no monitor. Apesar de bem equipado e com um sistema multimídia sofisticado, que conta com conexão com smartphone, roteador Wi-Fi e acesso a Internet, faltam itens sofisticados com bancos em couro e ar-condicionado digital. Afinal, é um carro de quase R$ 85 mil.

Motor e Transmissão
A unidade i-VTEC 1.5 de 116 cv e 15,3 mkgf de torque associada à transmissão do tipo CVT oferece bom comportamento no trânsito e privilegia relações de baixa rotação. Como todo CVT, quando o motor é exigido ele sobe o giro muito rápido para operar na faixa máxima de torque ao, que no caso é em 4.800 rpm. Mas basta suavizar o pé que ele derruba o giro numa espécie de Overdrive.<EM>

Como bebe?
A média de consumo no combinado entre trajeto urbano e rodoviário, com álcool, foi de 9,6 km/l.<EM>

Suspensão e freios
O acerto de suspensão é firme, o que faz dele um carro muito estável. No entanto, a suspensão traseira é dura e quem viaja atrás sofre com lombadas e buracos. Já os freios a disco na frente, e tambor na traseira, não sofrem param imobilizar os 1.130 quilos do modelo. Ele ainda conta com auxílio da partida em ladeira (Hill Holder).

Pontos positivos
- Consumo
- Dirigibilidade

Ponto negativo
- Preço caro diante do concorrente direto
- Falta revestimento em couro nos bancos