A Toyota goza de um prestígio de mercado que poucos fabricantes conseguem ter. Uma boa fama calçada na confiabilidade de seus carros. E é fato. Quem é cliente da marca dificilmente sai dela. E quando isso acontece é para migrar para um segmento superior ou porque não deu conta de acompanhar a escalada de preços.

O SW4 é um clássico exemplo de fidelidade com a marca. O SUV chegou por aqui na década de 1990, junto do Corolla e da Hilux. Há quase 30 anos, o modelo era uma das referências ao lado do Jeep Grand Cherokee, Mitsubishi Pajero e Nissan Pathfinder. 

Hoje o segmento SUV se expandiu e há incontáveis ramificações, com opções de arquiteturas mais modernas, motores mais sofisticados e emblemas de maior prestígio. Mas ainda sim o SW4 continua como sinônimo de quem atingiu o sucesso.

Com preços que variam de R$ 383 mil a R$ 407 mil, esse jipão japonês vende muito mais que seus rivais diretos e mais baratos. Para se ter uma ideia, o SW4 emplacou de janeiro a outubro, segundo a Federação da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 10.858 unidades. O Chevrolet Trailblazer, que parte de R$ 353 mil, licenciou 2.589 unidades e o Mitsubishi Pajero Sport, que tem preço inicial de R$ 345 mil, vendeu apenas 1.905 carros. 

Tecnicamente os três são muito parecidos. Todos utilizam chassi sobre carroceria (pois derivam de picapes), contam com motores turbodiesel, tração 4x4, muito espaço interno e opções com sete lugares. Mas o Toyota vende mais pelo lastro de seu emblema na grade do radiador. 

Segundo a Fenabrave, no consolidado dos utilitários-esportivos, o SW4 é o 12º modelo mais vendido. Ele tem melhor desempenho que jipinhos muito mais baratos como Renault Captur, Chery Tiggo 5x e Peugeot 2008, que pela lógica abocanhariam um faixa maior de compradores. 

O teste

E fomos conferir o SW4 SRX, com sete lugares. Esse carro tem preço sugerido de R$ 389.790 e só fica atrás da versão Diamond, que acabou de ser lançada. Ao volante, é um carro que aos poucos revela a razão de tanta gente ainda pagar tão caro por ele.


Raio-x Toyota SW4 SRX 2.8

O que é?
SUV grande, quatro portas e sete lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade Zárate (Argentina).

Quanto custa?
R$ 389.790

Com quem concorre?
O SW4 concorre no segmento de SUVs de sete lugares, com tração 4x4 e carroceria sobre chassi. Hoje disputa mercado com Chevrolet Trailblazer e Mitsubishi Pajero Sport.

No dia a dia
O SW4 é um SUV da escola antiga. Derivado de picape, é aquele carro que combina 4x4 com conforto. No Brasil, esse jipão é a definição do sucesso. E não é para menos com preços na casa dos R$ 400 mil, é quase como uma placa de reconhecimento de que o amigo venceu na vida. 

Quando se embarca no SW4 temos aquela imediata percepção de sentar ao banco de um Toyota. Aquele layout cheio de recortes e um monte de botões que não se preocupam em serem discretos. E claro, o clássico relógio digital da marca. A montagem é caprichada e o acabamento é refinado. Tem apliques que imitam madeira (que considero cafona) e muito couro. O espaço é generoso para as primeiras duas fileiras de banco, mas quem viaja no chiqueirinho, vai apertado.

Sem modismo, o quadro de instrumentos é analógico, mas com um pequeno computador de bordo, que resolve bem as necessidades de leitura. Ele oferece ar-condicionado digital, com repetidores para os bancos traseiros. O sistema multimídia da JBL conta com conexões Android Auto e Apple CarPlay, câmera de ré, assim como GPS nativo. Partida sem chave, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva e rebatimento elétrico dos retrovisores completam a lista de conteúdo.

O grande barato é que o carro ganhou um pacote farto de assistentes de condução, que são fundamentais para um SUV de seu porte. O SW4 oferece controle de cruzeiro adaptativo (ACC), monitor de permanência em faixa (que corrige a trajetória e reduz a velocidade automaticamente) e alerta de colisão.

Motor e transmissão
A unidade turbodiesel 2.8 de 204 cv e 51 mkgf de torque é muito parecido com a unidade do Trailblazer. Esse motor demora um pouco mais para entregar seu torque (pico a 2.800 rpm), mas depois que enche acelera com muita força. O casamento com a transmissão automática de seis marchas e sistema de tração 4x4, com reduzida e seletor eletrônico, garantem força e capacidade para sair do asfalto e encarar terrenos ruins.

Como bebe?
A média de consumo no percurso urbano, rodoviário (4x2) e fora de estrada (4x4) foi de 8,3 km/l. 

Suspensão e freios
A suspensão é independente na frente e eixo rígido na traseira. Ela é firme para compensar o centro de gravidade elevado (são 28 cm de vão livre). Mas mesmo assim sacoleja bastante, principalmente para quem viaja nas segunda e terceiras fileiras. Os freios contam com discos nas quatro rodas, o que tornam a frenagem desse carro mais eficiente, mas não deixe para a última hora, pois trata-se de um veículo com mais de 2 toneladas. Ele ainda conta com ABS, ESP e controles partida em rampa e descida de ladeira.

Palavra final
O SW4 é um carro superlativo, que se impõe na cidade, estrada ou na trilha. Ele te dá a segurança de ir e saber que vai conseguir voltar. E o consumidor paga caro por isso.

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