A coqueluche dos utilitários-esportivos, em grande parte se deve a Toyota. Em 1994 ela lançou o RAV4, que utilizava base do Corolla. E quase 30 anos depois, a Toyota volta a utilizar a plataforma do sedã para construir o Corolla Cross. 

 

O SUV chegou ao mercado em março e, assim como o primeiro RAV4, ele também conta com conjunto híbrido. Trata-se do mesmo sistema que combina motor 1.8 a duas unidades elétricas (sendo que uma atua como gerador). Trio que garante eficiência ímpar ao modelo.

O Corolla Cross tem uma missão árdua no mercado brasileiro, desbancar a hegemonia do Jeep Compass. O SUV norte-americano é “apenas” o líder entre os médios, e também vende mais que a maioria dos jipinhos compactos, mais baratos. 

Para tentar desbancar o líder, o SUV aposta ainda no lastro da marca japonesa e no peso do nome. Afinal, o Corolla é o carro mais vendido da história. O SUV foi feito para o fiel comprador do sedã e que agora se viu seduzido por um jipinho e não quer sair da marca. 

Uma prova disso é que, de março a setembro, ele emplacou quase 24 mil unidades, segundo a Fenabrave. Um volume considerável quando se fala de um automóvel que tem preço inicial de R$ 150 mil.

Estilo

O SUV definitivamente não é o campeão de beleza. O SUV tem estilo que faz dele um RAV4 em escala, com uma grade carrancuda, que se une à moldura do para-choque criando uma carranca de poucos amigos. Na lateral, o SUV recorre a vincos nos para-lamas e molduras nas caixas de roda para evidenciar sua proposta aventureira. No entanto, ele é baixo, o que não faz dele um SW4. 

Já a porção traseira segue a escola dos utilitários, com acabamento em plástico preto na parte inferior do para-choque e lanternas elevadas, que são mais visíveis e distantes de possíveis contatos em caso de colisão. O que não é bonito é o escapamento à mostra. Parece carros dos anos 1980. 

Mas há uma razão prática para tal. Ao contrário do sedã, o SUV demanda ângulo de ataque e saída maiores para cumprir com sua função de utilitário. Assim, com a “saia” mais curta, o abafador fica à mostra. Assim, comparado com o Taos e Compass, ele é o mais senhoril do trio. 

Por dentro, ele segue o padrão do Corolla. O painel é o mesmo e o multimídia flutuante não tem aquela capa estranha que foi apresentada no sedã. Seu pecado está no freio de estacionamento por pedal. Algo que não deveria existir em 2021.

O carro 

Testamos a versão topo de linha XRX Hybrid, avaliada em R$ 193 mil. Trata-se de um legítimo Toyota. Ele veste bem o motorista, oferece condução suave e equilibrada. 

Mas por outro lado, ele não arranca suspiros. O SUV não tem o vigor esportivo de um motor turbo, assim como a pegada off-road de um utilitário cascudo como o Compass turbodiesel ou Ford Bronco Sport.

Mas é um carro honesto, pois é literalmente um Corolla acrescido do Cross.

Raio-x Toyota Corolla Cross XRX Hybrid

O que é?
SUV médio de cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de Sorocaba (SP).

Quanto custa?
R$ 193.390

Com quem concorre?
O Corolla Cross concorre no segmento de SUVs médios, em que figuram modelos como Chery Tiggo 7, Chevrolet Equinox, Jeep Compass, Mitsubishi Outlander Sport e Volkswagen Taos.

No dia a dia
O SUV chega com atributos parecidos com o irmão sedã. O modelo oferece bom conforto no uso cotidiano graças à boa montagem, combinada com a suavidade de seu funcionamento. O acabamento interno é refinado, ainda mais com o revestimento em couro de tonalidade creme – que pode não ser a mais indicada para um SUV, mas deixa ele muito refinado. No entanto, há peças em plástico duro que poderiam ser em material emborrachado. Afinal trata-se de um SUV médio, segmento de prestígio do mercado.

Como topo de linha a versão conta com direção elétrica, ar-condicionado digital de duas zonas, multimídia (com Android Auto, Apple CarPlay, Bluetooth e câmera de ré), bancos revestidos em couro, banco do motorista com ajuste elétrico, retrovisores elétricos com rebatimento automático, sete airbags, teto solar elétrico, rodas aro 18 e faróis de neblina. [TXT_CARRO]O pacote de assistências de condução é farto, com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), monitor permanência de faixa, frenagem automática, alerta de colisão[/TXT_CARRO].

Assim como o sedã, é um carro prazeroso de se guiar no uso cotidiano. O SUV “veste” bem o motorista. O isolamento acústico é impecável, o que torna a vida à bordo bem mais agradável que do lado de fora. 

O grande senão desse carro está no freio de estacionamento de pedal. Claro que é mais barato usar um sistema mecânico que eletrônico. Mas trata-se de um recurso arcaico que não deveria figurar num carro tão caro. 

Motor e transmissão
O conjunto híbrido do SUV é seu grande diferencial diante de seus rivais. O motor 1.8 de 101 cv e 14,5 mkgf de torque atua junto da dupla elétrica de 72 cv e 16,6 mkgf. No entanto, apenas um módulo elétrico é utilizado para tração. O segundo funciona como gerador de energia para as baterias e funções agregadas como ar-condicionado e direção. <EM>

O conjunto híbrido é conectado a uma caixa CVT, sem opção de emulação de marchas. Há apenas o modo B, que é acionado para acelerar a recarga das baterias.

Como bebe?
A média de consumo do Corolla Cross foi de 13,1 km/l em trajeto urbano, com uso exclusivo de álcool. Valores muito próximos do que registramos com o sedã.

Suspensão e freios
Ao contrário do sedã, o Corolla Cross não oferece suspensão independente nas quatro rodas. Ele utiliza McPherson na frente e eixo rígido na traseira. Por ser um SUV, o conjunto mais espartano na traseira pode se mostrar mais resistente, mas compromete o conforto. 

Ainda sim, o ajuste é bom e oferece bom comportamento dinâmico, principalmente nas curvas. Só não se empolgue com as aventuras fora do asfalto, pois ele baixinho (com 16,1 cm de vão livre) e raspa com facilidades em lombadas. Na terra piora. Já os freios utilizam discos ventilados na frente e sólidos na traseira e contam com assistente de partida em rampa (Hill Holder).

Palavra final
O Corolla Cross deita na cama do sedã e se cobre como fetiche pelos SUVs. Ele peca por detalhes simples, mas que o consumidor ignora em nome da confiabilidade de marca.

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