A proximidade do fim do ano e do aumento das vendas provocadas por duas das datas mais importantes para o comércio no ano – a Black Friday e o Natal – tem feito com que os shoppings centers intensifiquem o processo de contratações temporárias. Dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop)estimam que a oferta de vagas temporárias voltadas para estes centros de comércio cheguem a 80 mil postos de trabalho em todo o país. Somente em Minas Gerais, a projeção é que sejam criadas mais de 10 mil novas vagas.

O avanço da vacinação e a chegada do último trimestre do ano são apontados como os principais aspectos que levam à intensificação do movimento de contratações temporárias. É um período de aquecimento das vendas que trazem perspectivas positivas para o comércio.

Para Isabela Moreira, gerente de marketing do Shopping Del Rey, essa confiança na retomada gradual da atividade econômica tem estimulado os lojistas a reforçarem seu time de vendas. “Alguns lojistas aproveitam o movimento do Dia das Crianças para iniciar as seleções, que devem ser ainda mais frequentes no próximo mês, quando começamos a falar de Black Friday e Natal”, diz.

Até mesmo os shoppings já iniciaram esse movimento, conforme Isabela. No caso do Del Rey, por exemplo, ela conta que recentemente o centro comercial decidiu dobrar o time de atendimento do serviço de compras por WhatsApp e já estão em processo de seleção avançado para os atendentes do período natalino.

Vendedores

Um outro levantamento, feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mostra que, das cerca de 15mil vagas temporárias que serão criadas em todo o Estado de Minas Gerais, 83,3% serão direcionadas para o cargo de vendedor. 

A expectativa não se resume somente às contratações temporárias, mas também às efetivações dos contratados após o fim do ano. Para este ano, em Belo Horizonte, a expectativa é de que seis a cada dez contratações sejam efetivadas, conforme mostra a pesquisa Contratação Temporária, realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) entre os dias 26 de agosto e 15 de setembro com 286 empresários da cidade. A possibilidade de efetivação em Belo Horizonte está acima da média nacional, que gira em torno de 38%. “Estamos em um momento de retomada crescente, com o comércio voltando a sua rotina normal, o que nos faz demandar a contratação de pessoal. É um movimento natural, de reposição de profissionais que foram perdidos no auge da pandemia”, explica o vice-presidente da CDL/BH, Fernando Cardoso. 

Um desses exemplos é a da empresária Márcia Machado, da Amor de Mãe – loja colaborativa de mães empreendedoras que tem três unidades em shoppings da capital. Para atender à maior demanda do último trimestre, a loja iniciou um processo seletivo para a contratação de 300 funcionários temporários que podem ser efetivados futuramente. “É uma oportunidade importante para quem quer ser reinserido no mercado de trabalho. Normalmente, bons talentos são descobertos neste tipo de contratação. São pessoas que não têm o desejo apenas de permanecer um tempo na empresa, mas sim garantirem a efetivação”, afirma a empresária. 

Cursos

Em meio à grande leva de contratações temporárias, um dos maiores desafios apontados pelos lojistas é de qualificar os profissionais que vão chegar ao comércio neste fim de ano.

Para tentar aumentar a capacitação dos temporários, o Sindlojas-BH pretende treinar aproximadamente 1.500 profissionais em um curso on line que começa na próxima segunda (18). Chamado de Vagas Temporárias, a iniciativa busca auxiliar o empresário lojista na seleção de profissionais para ocupar as vagas deste fim de ano. As empresas interessadas na captação de candidatos poderão, por meio do projeto, também se inscreverem e anunciar suas vagas pelo site, assim como ter acesso a todo banco de talentos. As inscrições podem ser feitas pelo site vagastemporariasbh.com.br. 

Para o presidente do Sindlojas BH, Nadim Nonato, muitas das possibilidades de efetivação dos temporários se perdem justamente pela falta de qualificação destes profissionais. “Tínhamos um problema grave de que apenas 15% dos temporários eram efetivados. Um mínimo de capacitação  aumenta a chance de efetivação”, conta.

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