O faturamento oriundo da produção mineral em Minas Gerais subiu 144% no período de janeiro a agosto de 2021 comparado ao mesmo período do ano passado. A alta é maior do que a registrada em todo o país para o período, que chegou a 112%. As exportações de minério de ferro, principal commodity mineral produzido no Estado, puxaram a alta no faturamento nacional, com total de US$ 32,4 bilhões (equivalente a R$ 177 bilhões no câmbio de ontem) negociados, para um volume de 233 milhões de toneladas nos oito meses deste ano.

Com o aumento dos ganhos, o repasse feito aos municípios por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) – o chamado royaltie da mineração – já ultrapassou em 2021 o total recolhido em todo o país no mesmo período de 2020. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que divulgou os dados nesta quarta (6), a variação cambial e a do preço das commodities minerais influenciaram este resultado.

Em Minas Gerais, o faturamento das mineradoras saltou de US$ 7,01 bilhões (R$ 38,5 bilhões) para US$ 17,08 bilhões (R$ 93,8 bilhões) na comparação de janeiro a agosto de 2020 para o mesmo período de 2021. De acordo com o Ibram, a retomada das operações da Samarco – paradas desde o desastre de Mariana, em novembro de 2015 – impulsionaram o aumento da produção.

Outros pontos que puxaram a alta do faturamento são os altos preços do minério de ferro, que em maio atingiram o maior pico, chegando a ser cotado no mercado internacional a US$ 233 a tonelada, e a alta no câmbio. “Vamos estabelecer recorde no faturamento neste ano, mesmo com os preços do minério de ferro caminhando para uma estabilização. A demanda oriunda do mercado chinês é muito alta e não cremos que os preços vão sair do atual patamar que é de US$ 117”, analisa Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do Ibram.

Investimentos

Além da elevação no faturamento, o Ibram também anunciou a previsão de alta de investimentos no setor. Se entre 2020 e 2024 serão alocados US$ 38 bilhões de dólares, para o quadriênio 2021-2025 os aportes chegarão a US$ 41,3 bilhões. Destes, a maior parte virá para Minas Gerais, que ficará com US$ 10,2 bilhões, o que representa 25% do total.

De acordo com Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Ibram, os investimentos no Estado podem fazer com que Minas retome a liderança na produção de minério de ferro em todo o país. “Todos sabem do potencial de produção de Minas e que o Estado produz hoje está ainda abaixo do que pode produzir. Os investimentos previstos para aplicação de inovação e tecnologia levarão ao aumento de produtividade”, explica Brumer.

Mineração

 

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