Depois de amargar perdas e incertezas por causa da pandemia de coronavírus, o setor de franquias em Minas Gerais já respira mais aliviado, com um aumento de quase 50% no 2º trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que aponta a Pesquisa Trimestral de Desempenho, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Pelo levantamento, as empresas do setor faturaram cerca de R$ 3,16 bilhões entre abril e junho de 2021, contra R$ 2,16 bilhões no mesmo período de 2020. Em todo o Brasil, no mesmo período, o faturamento chegou a R$ 41,140 bilhões – alta de 48,4% em relação a 2020.

Já em número de unidades, o mercado mineiro expandiu 9,3% no 2º trimestre deste ano, com um total de 14.574 operações – eram 13.333 no mesmo período de 2021. Os setores que mais se destacaram foram o de entretenimento e lazer – com crescimento de 900% no período – e de hotelaria e turismo, que subiu 400%.

111 mil vagas abertas pelas empresas de franquias em Minas nos meses de abril, maio e junho, o que representa um aumento de 1,5 % frente ao mesmo período de 2020, conforme a pesquisa da abf

Vacinação

Para a diretora da ABF Minas Daniyelle Van Straten, o crescimento de todo o setor se explica pela reabertura das atividades econômicas não essenciais e o aceleração do processo de vacinação da população, além de uma forte demanda reprimida. “Somos um Estado com 853 municípios ávidos por negócios bem estruturados e, isso, as franquias conseguem entregar rapidamente. Estamos intensificando a presença no interior, onde é um campo muito vasto, com diversas oportunidades a serem exploradas”, afirma a executiva.

Perfil empreendedor

Para o coordenador e professor de Especialização em Gestão de Franquias da PUC Minas, Rodrigo Campello, o crescimento do setor de franquias em Minas é justificado pelo suporte que o modelo de negócios traz para quem opta por adquirir uma franquia. “A franquia oferece três coisas: padronização, transferência de conhecimento e resultados. E isso dá segurança a esse empreendedor que está começando”, explica Campelo. 

No entanto, não é somente o suporte dado pelos franqueadores que fazem com que os negócios tenham sucesso. “Atualmente, o mercado não busca investidores e, sim, operadores. O sucesso deste modelo de negócios está diretamente ligado no conhecimento e envolvimento do empreendedor em participar de todo o processo. Não adianta se dividir; é algo para se estar fulltime”, explica Campelo. 

Empregos

Minas Gerais é o terceiro Estado do Brasil em número de redes e unidades de franquias em operação no país. A maioria das unidades no Estado atua nos mercados de serviços e outros negócios (27,3%); saúde, beleza e bem-estar (16%); e alimentação food service (13,9%). 

Suporte na pandemia incluiu isenção de royalties 

Na crise causada pela pandemia da Covid-19, o comportamento das empresas franqueadoras junto aos franqueados foi determinante para a sustentação dos negócios. Para segurar os clientes, algumas franquias chegaram a conceder isenção no pagamento dos royalties e treinamentos gratuitos para adaptação aos sistemas online, além de consultoria financeira. Foi o caso da Rockfeller Language Center, do ramo de idiomas. “Foi um momento em que essa relação de proximidade e companheirismo entre os franqueados se intensificou ainda mais. E este é o forte deste sistema porque cada um transfere suas experiências, que acabam servindo de case para os outros”, explica André Belz, CEO da Rockfeller. A franquia dobrou o número de operações em Minas do ano passado para este, chegando atualmente a 12 unidades. 

Outra empresa que atribui a expansão ao relacionamento mantido na pandemia é a Bem Seguros Crédito. “Foram cinco unidades abertas em Minas nos últimos quatro meses”, cita Marcos Castilho, diretor de Marketing da empresa.

Oportunidade

Para a empresária Isabelle Deógene, de 35 anos, a abertura de uma franquia foi um sonho realizado. Após trabalhar por 18 anos no escritório da franquia DA Depyl Action – rede de franquias de serviços de beleza e estética –, ela há um mês passou a comandar uma unidade da marca no bairro Castelo, região da Pampulha. “A unidade ia fechar, aí usamos a minha rescisão contratual para que eu pudesse me tornar dona da franquia. Conhecia todo o modelo de negócio e sabia dos desafios. Mesmo com a pandemia, não me arrependo e, hoje, consegui alcançar um objetivo de anos”, diz.

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