O principal reflexo, em Minas Gerais, da fusão entre o PSL e o DEM pode ser a presença, no mesmo palanque de 2022, do governador Romeu Zema (Novo) – que tentaria se reeleger – e do presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM) – como presidenciável pela sigla novata. A fusão entre as duas legendas foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional do DEM na última quarta (22). Desde então, o cenário de união entre Zema e Pacheco passou a ser considerado com mais intensidade por caciques de ambas as siglas, além de analistas políticos.

Pesa nessa análise o fato de que, nos últimos meses, o governador mineiro se contrapôs com posicionamentos da direção nacional doNovo, enquanto intensificava conversas com Rodrigo Pacheco. Desde fevereiro, foram pelo menos cinco encontros públicos em que ambos fizeram questão de trocar elogios mútuos.

Em nota, o governo estadual declarou que “o governador mantém conversas com todos os principais articuladores políticos do país e esteve, nesta quarta (22), com Luis Felipe D’Avila e com Eduardo Ribeiro (Novo), discutindo exatamente as perspectivas de 2022”.

Presente ao encontro do DEM, Pacheco disse que via a união com o PSL como “um sinal de entendimento para o bem do país”, mas desconversou se o apoio à nova sigla representava a recusa ao convite que vem recebendo para ser presidenciável pelo PSD. “Vai além de decisões pessoais”, disse.

Peso mineiro

Para o cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec, a possibilidade de congregar Zema e Pacheco na mesma sigla é justamente o maior trunfo dos entusiastas da fusão. “Estamos falando do segundo maior colégio eleitoral do Brasil e que sempre tem um peso na definição das eleições”, avalia.

Para ele, a fusão dos dois partidos é interessante para ambos. “Zema teria a possibilidade de buscar a reeleição e a formação de uma bancada maior para o segundo mandato, enquanto Pacheco emergeria como a grande liderança de um partido que tem a segunda maior bancada do Congresso, tempo de TV e dinheiro para as eleições de 2022”, destaca.