A possibilidade de falta de energia elétrica em Minas e em todo o Brasil, segundo especialistas, não é um fenômeno que será solucionado com o aumento das chuvas e a consequente elevação dos reservatórios das hidrelétricas, como se espera em um primeiro momento. Segundo especialistas ouvidos pelo Hoje em Dia, a crise na geração de energia elétrica é estrutural e deve se estender até mesmo durante o próximo ano – não haveria soluções aplicáveis a curto prazo para aumentar a capacidade de produção de energia no país.

Segundo Carlos Barreira Martinez, professor de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), a situação já havia sido alertada desde o início do ano em relatórios produzidos por órgãos públicos ligados ao setor elétrico, como a Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Não há o que se fazer a curto prazo para aumentar a geração de energia. Essa situação vai perdurar para 2022 e corremos um sério risco de um blackout severo”, explica o professor.

Outras matrizes

Nem mesmo a possibilidade de aposta em outras fontes de geração de energia – como a solar, eólica, nuclear ou termelétrica – fariam, a curto prazo, com que a produção de energia elétrica fosse mantida em patamares seguros a ponto de evitar o colapso de abastecimento, diz outro especialista, Silverio Visacro Filho, professor de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para ele, a escolha da matriz hidrelétrica como principal geradora de produção de energia do país faz com que sejam necessários investimentos a médio e longo prazos para aumentar o impacto de outras fontes no sistema brasileiro. “O problema não está na matriz, mas na diversificação do sistema. Estamos observando um aumento expressivo na produção eólica e solar, mas ainda não há tecnologia para que essas fontes venham a ser garantidoras de abastecimento principais. Tudo é planejamento, investimento, e isso não se aplica imediatamente para mitigar uma crise como esta, que já chegou”, diz Silvério.