Uma greve geral de caminhoneiros no país, nos moldes da ocorrida em maio de 2018, é tida como possibilidade cada vez mais concreta, mesmo com a eliminação de tributos federais sobre o diesel, anunciada pelo governo federal. A avaliação é do presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG), Irani Gomes. 

Para o dirigente, a iniciativa de zerar o PIS/Cofins do diesel nas refinarias, por ao menos dois meses, feita segunda-feira (1°) pelo presidente Jair Bolsonaro – a perda de arrecadação seria compensada com aumento de tributação de bancos e retirada de alguns incentivos setoriais – soa como “tapar o sol com a peneira”. “No caso das transportadoras que têm regime tributário sobre lucro real, a eliminação desses impostos não traz vantagem”, diz.

“Sem mencionar que, com o aumento da gasolina e do diesel (além do gás de cozinha) que começou a valer nessa terça-feira (o quarto do ano no diesel) qualquer benefício trazido pela suspensão do PIS/Cofins já vem ‘comido’ pelos novos preços”, pontuou.

De acordo com Gomes, seja no caso dos tanqueiros, que cruzaram os braços por um dia em Minas, na sexta-feira, provocando corrida de motoristas aos postos de combustíveis – agora, aguardam reunião com o governo estadual para tratar de possível redução do ICMS sobre o diesel –, seja no dos demais transportadores, a reedição de uma paralisação nacional é quase iminente. “Muitas lideranças têm falado em greve nacional, e com grande adesão”, afirma.

Na manhã dessa terça, na Grande BH, dezenas de caminhoneiros fizeram protesto por algumas horas contra os seguidos aumentos dos combustíveis, estacionando os veículos à beira de rodovias como a MG-424, em Vespasiano, e a BR-040, em Ribeirão das Neves.

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