Mesmo com um panorama de incertezas na economia para 2021, ritmo lento de vacinação contra a Covid-19 e a volta de medidas restritivas para evitar a proliferação da doença, no país e em Minas, alguns indicadores da indústria, do comércio e até do consumo apontam otimismo e perspectivas concretas de evolução. 

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados ontem, indicam, por exemplo, que 82% do empresariado do setor produtivo nacional pretendem fazer investimentos, ao longo do ano. Em Minas, segundo a Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), 74% estão dispostos a ampliar suas atividades. 

Já em relação ao setor comercial, conforme pesquisa da Fecomércio-MG, feita em janeiro, 34,7% dos donos de negócios na capital planejam aumentar os investimentos. O número pode ser tímido, mas é quase o dobro do percentual registrado em junho do ano passado.

A despeito de alguns prognósticos desfavoráveis, a confiança do empresariado, de modo geral, tem se baseado na expectativa do retorno de atividades, diante do início da vacinação. “Todo investimento passa por planejamento e muito deste movimento se dá em função da preparação das empresas para estarem prontas para o pós-crise”, afirma o economista Luiz Carlos Day Gama.

Outro motor seria a demanda represada de 2020. Segundo dados da Fiemg, três a cada cinco indústrias do Estado não conseguiram realizar os investimentos que pretendiam no ano passado, em razão da pandemia. 

Agora, dentre os mais de 70% de empresários mineiros que planejam retomar e executar aqueles planos, 35% têm a intenção de melhorar o processo produtivo e outros 32% querem ampliar a capacidade de produção. 

Para a economista da entidade Daniela Muniz, os números mostram que, a reboque dos investimentos, deve vir também um crescimento ainda maior na geração de empregos – indicador que tem apresentado, na indústria, seguidas altas desde o segundo semestre de 2020. “É um movimento natural: com o aumento da capacidade produtiva, surge a necessidade do aumento da oferta de novos empregos”, explica ela.

Esse movimento tem sido realidade, por exemplo, para a Clamper, indústria de eletroeletrônicos situada em Confins, na Grande BH. Em quatro anos, a empresa aumentou em mais de 200% o quadro de funcionários (de 200 para 550, neste ano). E a pandemia não foi entrave; pelo contrário. “O momento é perfeito para ampliarmos os negócios. Existe um aumento de demanda e mercados promissores a serem alcançados”, afirma o dono, Marcelo Lobo.

‘Astral’ de lojistas e de consumidores tem ligeira melhora

Confiança e expectativa de novos investimentos também são observadas no comércio de Belo Horizonte. Dados do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) da Fecomércio-MG mostram que, em janeiro, 34,7% dos empresários do setor pretendem ampliar os Investimentos – em junho de 2020 o índice era de 18,7%. 

Outro indicador, o Índice de Confiança do Consumidor, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 2,2 pontos na passagem de janeiro para fevereiro deste ano. Com a alta, que foi a primeira depois de quatro perdas consecutivas, o indicador chegou a 78 pontos, em uma escala e zero a 200 pontos.

“Os níveis de confiança, no entanto, continuam baixos e a sustentação de uma tendência de alta dependerá de fatores como a velocidade da vacinação, da evolução dos números da pandemia no Brasil e, principalmente, da recuperação do mercado de trabalho”, diz a pesquisadora Viviane Biittencourt, da FGV.

Para a economista da CDL-BH Ana Paula Bastos, a esperada reedição do auxílio-emergencial e a vacinação criam, de fato, a expectativa por mais compras, em especial das classes C, D e E. “São as classes que consomem mais, afirma ela.

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