Após intensa pressão dos preços dos alimentos no custo de vida em 2020, em meio à pandemia, os combustíveis voltam a ser candidatos a grandes vilões pela inflação, neste começo de 2021. Somente no primeiro mês do ano, a Petrobras anunciou dois aumentos para a gasolina e um para o diesel: a primeira encareceu quase 13% – foram dois reajustes um de 7,6%, em 8 de janeiro, e de 5%, no dia 26 – e o segundo, 4,4%. 

Para piorar a situação, a expectativa é de que o elevador continue subindo. Levantamento feito pela Ativa Investimentos, corretora brasileira com 35 anos de mercado, prevê que a estatal possa aplicar novas correções em fevereiro, aumentando o preço da gasolina em 12% - o que teria impacto na inflação de março. 

Em relação aos reajustes de janeiro, a Petrobras explicou que chegou aos percentuais com base na chamada “paridade de importação”, fator que sofre impacto da cotação internacional do petróleo e do câmbio. 

Para Guilherme Sousa, economista da Ativa Investimentos, responsável pela estimativa dos novos reajustes a conjuntura reforça a tese de que, agora em fevereiro, a empresa repita o patamar anterior de correção. “Tudo aponta para um aumento no mesmo percentual de janeiro”, garante.

Combustíveis e o bolso dos consumidores Os sucessivos aumentos não param de chegar às bombas da capital. Pesquisa feita pelo site Mercado Mineiro entre 26 e 28 de janeiro, divulgada na segunda-feira (1), mostrou que o litro da gasolina comum variava de R$ 4,565 a R$5,149 na cidade.no fim do mês. Em comparação com preços de 10 de janeiro, porém, constatou-se que o valor médio da gasolina comum havia subido 2,8%, ou R$0,13 - em pouco mais de duas semanas.
Para Feliciano Abreu, coordenador do site, a tendência é de que os aumentos continuem sendo repassados aos consumidores. “Os preços dos combustíveis vão continuar subindo, não há nenhuma tendência de queda”, disse ele.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) prevê que a alta a ser registrada em fevereiro não deverá ser repassada integralmente aos consumidores. O aumento nas bombas, contudo, deve variar entre 8 e 10%. 

Segundo o presidente da entidade, Carlos Guimarães, aliás, tem sido cada vez mais difícil para os postos segurar repasses dos reajustes nas refinarias. O motivo são os impostos. “Nosso lucro bruto fica em torno de 5%. Não há como represar os reajustes. Os revendedores sofrem tanto quanto os consumidores, já que combustível caro significa menos carros em circulação e, com isso, menos vendas”, destaca Guimarães, acrescentando que o faturamento dos postos de BH caiu 40% em 2020, na comparação com 2019.

Donos de postos culpam carga tributária e defendem redução

Para o Minaspetro, os preços dos combustíveis poderiam ser menores se a carga tributária fosse menor. De acordo com o sindicato, atualmente, em Minas Gerais, 50% do preço final da gasolina é composto por tributos que estão embutidos nos valores cobrados nas bombas. 

O presidente do Minaspetro, Carlos Guimarães, explica que se o ICMS mineiro fosse o mesmo praticado em São Paulo, por exemplo, o preço médio da gasolina por aqui seria R$ 0,50 menor. “Temos que rever a carga tributária sobre os combustíveis, seria uma opção para diminuir os preços”, explica Guimarães.

Embora critique os sucessivos aumentos aplicados pela Petrobras, o dirigente acredita que não é possível estabelecer uma política de controle de preços para o setor. Para ele, a livre concorrência tem que ser ainda mais estimulada para garantir escolhas aos consumidores. 

“Não há espaço para controle de preços, principalmente após os impactos da pandemia. Existem muitos empresários do setor que estão à beira da insolvência e não têm mais nenhuma possibilidade de represar preços. O que é necessário é estimular a livre concorrência e diminuir a carga tributária do setor”, afirma ele.

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