O Portal da Transparência, meio pelo qual o governo federal presta contas dos gastos públicos, saiu do ar na noite dessa terça-feira (26) e só voltou às 8h desta quarta (27). A instabilidade aconteceu depois da polêmica sobre os altos valores utilizados pela administração para compra de diversos itens para alimentação de servidores.

Os gastos alimentícios do ano passado somaram mais de R$ 1,8 bilhão. Destacam-se os R$ 15 milhões pagos em leite condensado, R$ 2,2 milhões em chicletes e R$ 32,7 milhões em pizza e refrigerante. Ao todo, o governo aumentou em 20% o valor gasto em relação a 2019.

As altas cifras entraram na mira de parlamentares, que formalizaram uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a abertura de investigação. O pedido, protocolado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), alega que o aumento das despesas fere o princípio da moralidade administrativa. 

O deputado David Miranda (PSOL-RJ) e as deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Vivi Reis (PSOL-PA) registraram uma ação para que o procurador-geral da República, Augusto Aras, abra uma investigação sobre os gastos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) informou, em nota, que o Portal da Transparência saiu do ar nesta madrugada devido ao volume "fora do habitual" de acessos.

"No início da noite, os acessos continuaram bastante elevados, o que aparentemente acabou por acarretar a instabilidade e a consequente indisponibilidade de acesso ao Portal", explicou o órgão.

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