O mercado de picapes tem passado por uma ampla reformulação de posicionamento. Hoje, as opções de entrada com cabine simples e motorização flex praticamente desapareceram. 

Muito se deve pela popularização do SUV, que se tornou referência do automóvel moderno e de boa “presença”. Na década de 1980, o máximo era ter uma caminhonete cabine dupla, elaborada pelas chamas transformadoras, como Envemo, Brazcar e SR era o carro de luxo do brasileiro. 

E como hoje o bacana é ter um jipinho, o interesse por picapes encolheu. Assim, as picapes, que são cabine dupla na grande maioria, voltaram a ser carros de luxo, como nos dias de “Cassino do Chacrinha”. A S10 High Country é o mais perfeito exemplo dessa tendência. A versão de luxo chegou em 2015 e passou por leve atualização de estilo, assim como o restante da linha. No entanto, se destaca por sua grade exclusiva, com o nome da marca grafado em toda a extensão e a gravatinha reposicionada para o canto esquerdo da grade. Por dentro também evoluiu em conectividade, que é um quesito fundamental até mesmo nos compactos.

Com preço sugerido de R$ 233.190, é um veículo extremamente caro. No entanto, a S10 turbodiesel 4x4 é cara por si só, partindo de R$ 185 mil. E a versão topo de linha se apresenta como um carro sofisticado, com pacote farto de tecnologias e muito conforto. Trata-se de um carro que foi projetado para um consumidor que tem dinheiro, que dirige automóveis bem equipados e que não pagaria por uma picape capenga.

Dessa forma, a picape entrega para seu abastado consumidor tudo o que ele encontraria em um SUV de mesmo valor, como assistentes de condução, comodidade e conteúdos, da mesma forma que uma D20 “cabinada” se passava por um Opala com caçamba.

Raio-x Chevrolet S10 High Country 2.8 AT6 4x4

O que é?
Picape média, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade São Caetano do Sul (SP).

Quanto custa?
R$ 233.190
R$ 235.090 (testado)

Com quem concorre?
A High Country concorre no topo da gama e disputa mercado com as versões mais sofisticadas de Ranger, L200, Frontier, Hilux e Amarok.

No dia a dia
A S10 High Country oferece o máximo que a GM entrega de conforto e comodidade no mercado brasileiro. Ela entrega ar-condicionado digital, trio elétrico (vidros, travas e retrovisores elétricos), computador de bordo, central MyLink (telefonia, aplicativos, câmera de ré, USB e conexões Apple CarPlay e Android Auto), além de sensor crepuscular, alerta de colisão frontal e monitor de faixa. 

Seu acabamento também é refinado com bancos revestidos em couro, assim como volante e até mesmo nos apoios de central e nas portas. O que faltou foi a partida sem chave, que não é indispensável, mas está presente nos rivais.

Tudo isso faz dela um carro sofisticado e com padrão semelhante ao que seu consumidor habitual já tem na garagem. Para quem faz uso desse carro para viagens ou rodar em regiões urbanas de pouco movimento, ela se comporta muito bem.

No entanto, seus 5,36 metros fazem dela um pesadelo na cidade, onde é difícil estacionar e se deslocar com agilidade no trânsito congestionado. Ainda bem que ela conta com sensores dianteiros e traseiros, além do auxílio da câmera de ré. 

Motor e transmissão
A unidade 2.8 de 200 cv e 51 mkgf de torque é a cereja do bolo da S10. O motor oferece todo seu torque a baixos 2.000 rpm, o que faz dela um carro extremamente robusto.

Já a caixa automática de seis marchas tem relações que privilegiam o torque em marchas curtas e relação longa em sexta para velocidades de cruzeiro em baixa rotação. 

Com o seletor de tração posicionado no modo 4x4 reduzido, a S10 vence com facilidade terrenos acidentados e ladeiras íngremes.

Como bebe?
A média de consumo no percurso urbano, rodoviário (4x2) e fora de estrada (4x4) foi de 9,1 km/l. 

Suspensão e freios
A suspensão segue o padrão de qualquer utilitário com caçamba para carga, muito dura na traseira, que reflete no conforto de quem viaja principalmente no banco traseiro. Já os freios merecem atenção. Mesmo com suporte do ABS, o peso do veículo dificulta a frenagem, que demanda muito espaço para chegar à imobilidade. A versão conta com ESP e assistente de partida em rampa.

Palavra final
A S10 High Country é um carro caro, mas que cabe no bolso de um perfil de consumidor que já tem outros carros tão caros na garagem. É o carro para quem busca na picape a robustez para ir ao campo e a força do motor diesel para não passar aperto na estrada ou fora dela.

Ou seja, é o carro para um sujeito “bom de sela” como aquele bacanão dos anos 1980.