Automóveis icônicos nunca morrem. Eles podem até sair de linha, mas continuam orientando os caminhos de futuros projetos. Modelos como o Mini, da BMC (sigla para British Motor Company), Fiat Cinquecento, VW Fusca, Peugeot 205, Citroën 2CV, são alguns exemplos de carros que tiveram grande representatividade no mercado. E quando se soma isso às peripécias no automobilismo. Aí o carro se torna referência.

É o caso do Renault 5, carro que surgiu no início da década de 1970, como opção acessível para o mercado europeu. Era um carrinho que concorria com Ford Escort, Volkswagen Golf, Peugeot 104, Fiat 126, Austin Mini, dentre outros pequeninos do Velho Mundo.

Mas o “Cinco” não escreveu seu nome na história por ser um carrinho popular que perambulava pelas vielas europeias. Sua história se fez no rali. Mais precisamente no temível Grupo B da FIA. A Renault espremeu uma unidade 2.2 turbo de 350, sobre o eixo traseiro, alargou a carroceria e criou uma criatura indomável chamada de Renault 5 Maxi Turbo.

Agora, a Renault apresenta o Renault 5 Concept. Um estudo futurista e extremamente excitante, que resgata a essência de seu antepassado. Trata-se de um projeto que poderá resultar num novo elétrico da marca, que hoje já conta com o Zoe. Modelo que é comercializado no Brasil.

Mas, diferentemente do atual elétrico em linha (que é bastante simpático, diga-se de passagem), o “novo” Renault 5 tem uma pegada mais agressiva. Uma mescla de saudosismo com modernidade.

O formato dos faróis, para-choques, lanternas, e até mesmo o “calço” entre as luzes traseiras e os para-lamas foi recriado. O Cinco do futuro tem apenas opção quatro portas, sendo que as traseiras se escondem nos contornos da carroceria.

“O design do Renault 5 Prototype é baseado no R5, um modelo de culto à nossa herança. Este protótipo simplesmente incorpora a modernidade, um veículo relevante para a sua época: urbano, elétrico, atraente”, explica o diretor de Design da Renault, Gilles Vidal.

E não é para menos! O Renault 5 é, ao lado do Alpine A110 e Clio V6, um dos carros mais emblemáticos da marca francesa. Inclusive, vale lembrar que o próprio Clio V6, da década de 1990, foi desenvolvido com base no Maxi Turbo, com seu motor removido do cofre para ficar alojado atrás do banco do motorista.

No caso do conceito, por ser elétrico, a Renault pode brincar e instalar uma pequena unidade para cada eixo, fazendo dele um carro de tração integral, ou também permitindo que se tenha tração traseira ou dianteira. No entanto, a marca faz mistério sobre o que há debaixo da silhueta do carrinho. 

Cheio de referências com o modelo original, no lugar da saída de ar sobre o capô, agora há o ponto de recarga. Os para-lamas alargados foram herdados do modelo de competição.

Por dentro, a Renault não divulgou muita coisa. O que se vê é que o quadro de instrumentos é destacado sobre o painel e tem tela translúcida. Uma solução interessante, que permite perfeita visão da instrumentação sem tirar os olhos da estrada, fazendo as vezes do Head-Up Display (HUD) presente em modelos de luxo.

Conceito elétrico inspirado no famoso Renault 5, imortalizado em sua versão para Grupo B da FIA, pode servir de base para futuros compactos da marca francesa