A Ford acaba de anunciar que deixará de produzir automóveis no Brasil. O comunicado foi feito nesta segunda-feira (11). Presente no país desde 1919, a marca do Oval Azul decidiu abandonar suas operações de manufatura. 

Numa tacada só, a empresa anunciou o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e até mesmo a da Troller, em Horizonte (CE). Com isso, a Ford deixa de produzir imediatamente os modelos EcoSport, Ka, Ka Sedan e o T4. 

 

Impactos

Com o fechamento das unidades de produção, boa parte dos 8 mil funcionários da gigante de Detroit deverão ser demitidos. O número exato não foi informado, mas já correm especulações sobre o tamanho do impacto que a decisão causará. 

O canal Bloomberg estima que cerca de 4 mil colaboradores percam seus postos de trabalho. Já o G1, calcula que 830 postos serão eliminados em Taubaté. A própria Ford estima que só com rescisões e acordo serão gastos USS 2,5 bilhões  (R$ 13,74 bilhões). O total que a marca prevê desembolsar para encerrar suas operações chega a US$ 4,5 bilhões (R$ 24,73 bilhões).

"A produção será encerrada imediatamente em Camaçari e Taubaté, mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda. A fábrica da Troller em Horizonte continuará operando até o quarto trimestre de 2021. Como resultado, a Ford encerrará as vendas do EcoSport, Ka e T4 assim que terminarem os estoques. As operações de manufatura na Argentina e no Uruguai e as organizações de vendas em outros mercados da América do Sul não serão impactadas", informou a assessoria de imprensa da norte-americana.

Apesar de abandonar a produção local, a marca afirma que manterá a produção de peças temporariamente, mas não deixa claro por quanto tempo. Ela também manterá ativas a sede administrativa da América do Sul, assim como o campo de provas e centro de desenvolvimento para a região, que manterão suas atividades em São Paulo. Ela também deixa claro que está aberta para negociar com interessados em adquirir as instalações. 

Rede

Em comunicado enviado à rede de concessionários, a que tivemos acesso, a Ford afirma que a marca vem acumulando perdas desde 2013, quando a economia brasileira começou a retrair, o que tornou a operação insustentável. No informe, direcionado aos diretores e gerentes de lojas, a Ford também aponta que a desvalorização do real elevou os custos de produção. E para fechar, a gigante também elenca o Covid-19, que tornou as linhas ociosas e derrubou as vendas. 

Importações

De acordo com o comunicado, a marca se dedicará a modelos importados como a picape Ranger, que é feita em Coronel Pacheco, na Argentina, assim como o SUV chinês Territory, o Mustang, a van Transit e o futuro Bronco Sport.

“Nosso dedicado time da América do Sul fez progressos significativos na transformação das nossas operações, incluindo a descontinuidade de produtos não lucrativos e a saída do segmento de caminhões. Além de reduzir custos em todos os aspectos do negócio, lançamos, na região, a Ranger Storm, o Territory e o Escape, e introduzimos serviços inovadores para nossos clientes. Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo", explica o presidente da Ford América do Sul e Grupo de Mercados Internacionais, Lyle Watters.

Participação

Em 2020 a Ford fechou o ano com 7,14% de participação, que corresponde a 139.255 unidades licenciadas. Comparado com 2019, a marca perdeu 1,08% do mercado, de acordo com balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). 

No entanto, em termos de volume, a queda foi de cerca de 36%, enquanto o mercado, como um todo, encolheu 26,6% . Em 2019, a Ford emplacou 218.526 unidades. Ou seja, quase 80 mil unidades a menos. 

A Ford é a segunda marca que deixa de produzir automóveis no Brasil em menos de dois meses. Em dezembro foi a Mercedes-Benz que decidiu encerrar as atividades de Iracemápolis, no interior paulista.