Após o colapso no nível de atividade econômica ocorrido no segundo trimestre deste ano devido à pandemia do novo coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma das riquezas produzidas em Minas – apresentou uma expansão de 8,1% no terceiro trimestre , o maior da série histórica iniciada em 2002 para desempenhos trimestrais. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), que divulgou os dados ontem, as retomadas da indústria de transformação, que registrou crescimento de 21,1%, e do comércio, que teve expansão de 16,1%, foram as responsáveis pelo resultado positivo.

Na avaliação de Daniela Brito, gerente de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), dois fatores foram fundamentais para esse desempenho: o auxílio emergencial e a alta do dólar. “O auxílio injetou um recurso extra, principalmente nas áreas mais pobres, o que puxou a demanda de mercado. Isso ajudou, e muito, a indústria de alimentos e de vestuário, que tem um peso importante no nosso Estado”, salientou.

Além disso, segundo ela, a desvalorização do real frente ao dólar garantiu competitividade a alguns setores como mineração, papel e celulose para conseguirem alavancar as vendas no mercado externo. “Além disso, com o dólar mais alto, se intensificou um processo de substituição de importações que beneficiou, especialmente, o setor têxtil”, avalia. 

Já para o economia Guilherme Almeida, da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio), o impacto do comércio na alta do PIB se deve diretamente ao início do processo de flexibilização da atividade econômica a partir do terceiro trimestre. 

“Com as lojas abertas e o incremento do auxílio emergencial era natural um acréscimo, principalmente no comércio varejista. É bom ressaltar que os setores do comércio que puxaram esta alta estão relacionados à indústria de transformação, o que mostra que o crescimento foi puxado pela demanda do mercado”, salienta.

Bebidas

No terceiro trimestre os destaques foram verificados na fabricação de bebidas e a retomada de segmentos prejudicados com as paralisações no segundo trimestre, como a indústria têxtil e a cadeia metalomecânica, com aumento no volume produzido na fabricação de produtos de metal, máquinas e equipamentos, na metalurgia e, principalmente, na produção e veículos automotores. Já no comércio, essa melhora é creditada à ampliação do volume de vendas em segmentos correlatos aos que tiveram recuperação na indústria de transformação, como venda de veículos, peças e acessórios, e de tecidos, vestuário e calçados, além do resultado favorável no comércio varejista de uso pessoal e doméstico. 

Outra atividade que registrou resultado positivo no terceiro trimestre foi a construção civil. O Valor Adicionado Bruto (VAB) - ) - resultado final da atividade produtiva no decurso de um período determinado - do segmento expandiu 6,5% no comparativo com o segundo trimestre. O desempenho é atribuído à recuperação do nível de ocupação e ao crescimento do estoque de empregos formais. Já a retomada nas atividades de extração mineral (1,5%) e de energia e saneamento (2,6%) foram mais moderadas em Minas.