Sete em cada dez belo-horizontinos vão comprar presentes de Natal neste ano. Mesmo sob os impactos da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, os consumidores da capital mineira pretendem gastar, em média, R$ 95 para comprar cada presente de Natal. O valor é 6,18% menor que o do ano passado, que ficou em R$ 102. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (3), pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). 

A pesquisa mostrou também que os consumidores vão comprar pelo menos três presentes e pretendem pagar usando o cartão de crédito, de forma parcelada. A CDL/BH espera que o volume de vendas em dezembro chegue a R$ 3,26 bilhões. O valor é 1,85% menor do que o alcançado no mesmo período de 2019. 

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Professora universitária Kênia Mara Cardoso revela que vai dar presentes à filha de 5 anos e aos pais

Os principais itens escolhidos na hora das compras de Natal serão roupas – apontadas por 78,6% dos consumidores – e brinquedos – escolhidos por 41% dos pesquisados. Os shoppings são vistos por 46,6% dos consumidores da capital como os locais preferenciais para comprar. Para 56,8% dos consumidores ouvidos, os preços vão ser o principal atrativo na hora da escolha do presente, seguidos de promoções e sorteios (28,2%) e do bom atendimento (25,2%). De acordo com o presidente da CDL/BH, Marcelo Souza e Silva, a expectativa dos consumidores para as compras de Natal foi bem recebida pelos empresários. “Mesmo com todos os problemas econômicos, esta sondagem mostra que o Natal continua sendo o melhor período do ano”, afirma.

Em meio à pandemia e um ano difícil, o Natal é visto por alguns consumidores como o momento de celebrar e aproveitar um tempo para ter um pouco mais de felicidade. A professora universitária Kênia Mara Cardoso conta que neste ano vai presentear apenas a filha, de 5 anos, e os pais. Para não levar dívidas para 2021, quer pagar tudo à vista. Já escolheu os presentes e espera gastar no máximo R$ 90 em cada um. “Natal não dá para ficar sem presente, mas este ano tem que colocar o pé no freio e segurar mesmo”, considera a professora.

Para a economista Mafalda Valente, da Faculdade Promove, comprar à vista deveria ser a conduta adotada pelos consumidores neste fim de ano. Endividadas, reflexo de todo o caos econômico deste ano, as famílias devem conter a euforia e segurar o ímpeto na hora de gastar. “Estamos em um momento de total incerteza, em que toda e qualquer atitude de cautela é importante, para garantir um início de ano mais tranquilo”, enfatiza.

A pesquisa da CDL/BH também mostra que, para tentar atrair os clientes e faturar no Natal, lojistas vão apostar nas liquidações. Na tentativa de conter aglomerações e tumultos nas lojas, a CDL/BH vai usar carros de som nos bairros, para divulgar as medidas sanitárias e incentivar os consumidores a comprarem dos pequenos comerciantes. 

“O comércio local é o que mais sofreu nesta pandemia e temos que enfatizar as compras nesses locais, pois o Natal é a alternativa para trazer um alívio neste fim de ano”, espera Marcelo Souza e Silva.