Três das maiores cidades de Minas Gerais serão governadas a partir de 2021 por mulheres. Contagem, na Grande BH – que elegeu a deputada estadual Marília Campos (PT) –, Juiz de Fora, na Zona da Mata – que terá a deputada federal Margarida Salomão (PT) no comando – e Uberaba, no Triângulo – que escolheu Elisa Araújo (Solidariedade). Em todo o Estado, 64 prefeitas de um total de 286 candidatas foram eleitas, o que representa 7,5% dos 853 municípios. Foi apenas uma vencedora a mais que em 2016. 

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Elisa classifica a própria eleição como fato histórico na região e sinal de avanço na sociedade 

Se em Contagem a experiência de ter uma mulher no comando da cidade já é conhecida – a própria Marília Campos governou a cidade em dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2013 – em Juiz de Fora e Uberaba será a primeira vez que uma mulher será prefeita. Margarida no Salomão (PT), que já havia se tornado a primeira mulher a ser candidata ao Executivo de JF nas eleições de 2008, acredita que a vitória conquistada no domingo (29) representa um novo vento na política. “Essas eleições mostraram que existe essa mudança. Um total de 72% do eleitorado votou em mulheres aqui. É um novo tempo”, destacou ela.

Sentimento semelhante tem a futura gestora de Uberaba, Elisa Araújo. Empresária, Elisa, que já dirigente regional da Fiemg no Vale do Rio Grande, acredita que a eleição de uma mulher para dirigir uma grande cidade do Triângulo é histórica. “Com certeza a vitória representa muito, é um fato histórico. Uma mulher ser eleita é sinônimo de uma sociedade que segue avançando”, enfatiza.

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Para Marília, mudança deve começar em escolas, conscientizando alunos sobre papel da mulher

Apesar de tais exemplos, a participação feminina na política continua enfrentando uma série de obstáculos. Mesmo com a obrigatoriedade de que 30% das candidaturas sejam femininas e que o mesmo percentual dos recursos disponíveis pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanhas sejam direcionadas para as candidaturas femininas, as mulheres ainda são deixadas em segundo plano na política. 

Após as eleições deste ano, apenas uma capital – Palmas (TO) será governada por uma mulher. Em todo o país, 12,6% dos municípios terão mulheres no comando das cidades, de acordo com o TSE. 

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Margarida viu evolução, já que mais de 70% do eleitorado feminino votou em mulher na cidade 

Para Luciana Nepomuceno, especialista em direto eleitoral e representante do Instituto de Advogados de Minas Gerais (IAMG), as estruturas dos partidos políticos “relegam as mulheres a puxadinhos” e impedem que elas tenham maior protagonismo. “Os partidos políticos continuam sendo dirigidos por homens. As mulheres, quando aparecem no quadro político, são as esposas dos políticos. E isso precisa mudar. É necessário se criar mecanismos que garantam a elas mais representatividade dentro dos partidos”, afirma a advogada.

Para a petista Marília Campos, é necessário mudar não apenas a estrutura partidária, mas o sistema eleitoral, de modo que garanta a criação do voto em lista com obrigatoriedade de paridade entre homens e mulheres. Além disso, ela entende que a educação tem papel fundamental para que mais mulheres ocupem mais cargos. “É uma questão de mostrar desde cedo que as mulheres têm que ocupar os espaços, não só na política, mas no mercado de trabalho”, diz a prefeita eleita de Contagem.

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