Uma semana após o início das operações, o Pix, modalidade de transferências e pagamentos digitais instantâneos, já movimentou R$ 9,3 bilhões, com 12,2 milhões de operações em todo o país. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central, segundo o qual o número de chaves cadastradas nos sete primeiros dias ultrapassou os 83 milhões. 

A julgar pelo percentual médio de transações bancárias tradicionais feitas em Minas em relação ao montante nacional, antes da chegada do Pix, é possível estimar, segundo o consultor financeiro Paulo Vieira, que 10% do total de pagamentos, ou aproximadamente R$ 1 bilhão, foram feitos no Estado. 

A nova forma de lidar com dinheiro reforça a expectativa do aumento de vendas do comércio varejista durante a Black Friday, que acontece, oficialmente, na próxima sexta-feira, mas que já tem inúmeras promoções em curso.

Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL/BH), a semana de descontos deve injetar R$ 2,01 bilhões na economia da capital. Em entrevista exclusiva à jornalista Maria Amélia Ávila, do Hoje em Dia, o presidente da CDL/BH, Marcelo Souza e Silva, disse ontem acreditar que o Pix eleve o faturamentos dos comerciantes na temporada de descontos na cidade. 

“Os empresários estão oferecendo a ferramenta para os clientes mais fiéis e a facilidade que ela dá vai estimular as vendas à vista, além de produzir uma consequente diminuição da inadimplência”, destaca Souza e Silva.

Adaptação
Embora compartilhe da expectativa de crescimento nas vendas durante a Black Friday, na capital – a estimativa é de alta de 30% na movimentação geral nas lojas –, a Fecomércio-MG tem visão mais conservadora em relação ao Pix. “É uma ferramenta que vem para trazer mais eficiência e transparência, mas que ainda vai demorar mais para ter impacto direto nas vendas”, afirmou Bárbara Guimarães, economista da entidade.

Os lojistas também se dividem sobre uso dessa tecnologia. Diretor financeiro e administrativo de uma rede de barbearias e salões de beleza na capital e entusiasta das novas tecnologias, Rogério Salgado diz que já está oferecendo ao Pix à clientela, com boa adesão. “O empresário tem que estar antenado com as novidades, precisamos oferecer as evoluções tecnológicas aos nossos clientes. Quem não fizer isso, vai ficar para trás”, ressalta. Já a empresária Juliana Braga, gerente de uma rede de lojas de roupas femininas, mantém o pé um pouco mais atrás. “Vejo que vai ser igual aos aplicativos de transporte. Num primeiro momento, todo mundo ficou desconfiado, mas, ao perceberem a segurança, virou uma nova forma de se locomover”.

Modalidade é considerada segura e eleva transparência

Para o consultor financeiro Paulo Vieira, o Pix é uma modalidade de transferências e pagamentos que veio para ficar. A adesão das pessoas ao sistema, de acordo com ele, está muito mais ligada, por exemplo, à relação custo/benefício do que a eventuais discussões sobre segurança nas operações.

“Temos um dos sistemas financeiros mais sofisticados do mundo. Toda novidade causa uma certa apreensão, mas o mercado financeiro trabalha 24 horas por dia e exige a rapidez que o Pix proporciona”, destaca o consultor.

Em relação à segurança, o Banco Central garante: “O Pix conta com os mesmos protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional que já usamos hoje, e que também servem para TEDs e DOCs”. Além disso, segundo o órgão, as transações contam com “camadas de segurança oferecidas pelas próprias instituições financeiras por meio dos celulares, como biometria, reconhecimento facial e outras. 

A economista Bárbara Guimarães, da Fecomércio/MG, acredita que o Pix também traz transparência e eficiência nas transações financeiras, além de melhorar o gerenciamento do fluxo de caixa das empresas. “Essa ferramenta veio para ajudar, principalmente aos pequenos negócios”.