O fechamento de academias de ginástica e de clubes durante vários meses em Belo Horizonte, para evitar a proliferação do novo coronavírus, provocou uma corrida de consumidores às lojas que comercializam bicicletas na capital mineira. A procura foi tanta que em alguns estabelecimentos as vendas chegaram a triplicar e já há até falta de bikes e de componentes no mercado. As oficinas também estão abarrotadas de serviços, impulsionados pelo crescimento do mercado de delivery. Com a alta do dólar nos últimos meses, os preços das “magrelas” já estão até 20% mais salgados.

Na Campolinas Bike, no bairro Palmares, há uma lista com 15 pessoas aguardando a chegada de bicicletas. Guilherme Campolina, proprietário do estabelecimento, conta que vendia em torno de duas bicicletas por semana, mas com a pandemia chegam a sair até cinco em um só dia. “Nos primeiros dois meses da pandemia, vendemos o que levaria um ano para comercializar. Foi uma verdadeira loucura, e rolo para treino, que coloca na roda da bicicleta para pedalar dentro de casa, estava valendo ouro”, conta.

“Sem academia e sem clube, foi uma forma que as pessoas encontraram de continuar fazendo atividade física, mantendo o distanciamento social”, avalia Guilherme Campolina. Segundo ele, além da falta de bicicleta, a maioria importada da China, há uma escassez no mercado inclusive de peças básicas como câmara de ar, capacete de segurança, pneus aro 29 e até bermudas acolchoadas. Ele está mantendo os valores dos produtos, mas nos últimos meses afirma que os preços das bikes subiram até 20% devido à alta do dólar.

Na Minas Bike, as vendas chegaram a crescer mais de 50%. “A procura foi muito legal. Tem muita gente nova chegando no ciclismo. A falta de produtos estava atrapalhando bastante, mas parece que está resolvendo”, conta Leonardo Arnon Gomes, dono do estabelecimento. Da mesma forma, na Global Bicicletas, no Centro de BH, cuja loja abriu a partir de junho, as vendas também cresceram em torno de 50%. Fábio Augusto, gerente da loja, reclama da falta de produtos. “Está faltando bicicletas de alguns tamanhos e certos componentes. Muita coisa vem de fora do país. Chega e acaba rápido”, conta.

“As vendas triplicaram neste período de pandemia, com o auge em março e abril. Com as academias fechadas, as bicicletas foram a válvula de escape para as pessoas”, afirma Laudner Fonseca Coelho de Oliveira, gerente da loja Na Trilha Certa, na Savassi. Segundo ele, ainda estão faltando muitas peças e acessórios no mercado. “Costumo trabalhar com um estoque de 200 bicicletas. Neste momento, temos só 77 na loja. A pandemia alavancou as vendas e o ciclismo está se tornando um hobby”.

Com vendas até 80% maiores, a Moto Centro & Byke, no bairro Floresta, vive um boom também no setor de serviços. “Temos umas 60 bicicletas na loja para consertar, tanto motorizada quanto comum. Por semana, chegam em torno de 20. Já está faltando espaço na loja, algumas arrumamos na mesma hora e devolvemos”, conta Maria Nilcileia de Souza, gerente do estabelecimento. Ela avalia que além da Covid, as vendas e serviços foram impulsionados pela expansão dos deliveries e de pessoas que passaram a usar as “magrelas” para o deslocamento de casa para o serviço.

 

“Você vai para a natureza e parece 
que está viajando”, afirma empresário

ncentivado pela esposa durante a pandemia, o empresário João Bosco Vieira Torres Júnior investiu R$ 3 mil para dar início à prática do ciclismo, mas confessa que já gastou muito também com a compra de acessórios. 

“Fiquei esperando uns dois meses na fila para conseguir comprar a bicicleta. Com todo mundo ‘preso’ nesta pandemia, você pega a bicicleta, vai para a natureza, e parece que a gente está viajando. No início não animei muito, agora estou gostando demais”, garante.

Da mesma forma, o gerente de estoque José Marim Guadanini Júnior teve que ter paciência e esperar três meses na fila para adquirir uma bicicleta nesta pandemia. “Está todo mundo procurando. Com as restrições a outros esportes, andar de bicicleta é um esporte que você pode fazer ao ar livre, não tem contato com outras pessoas, o que facilita neste momento”, avalia. Guadanini, que praticava corrida, conta que falta de tudo um pouco no mercado, como tênis e até roupa para ciclismo.