A Nissan acaba de lançar a nova geração do Versa no Brasil. O sedã deveria ter chegado no primeiro semestre, mas devido à pandemia, teve o lançamento adiado. Pudemos conferir o carro. 

A marca japonesa liberou o modelo por algumas horas na véspera da apresentação. Nesse período não é possível fazer uma análise completa, com aferição precisa de consumo, uso cotidiano, porta-malas carregado, mas dá para ter uma boa noção do carro.

 

A primeira impressão ao volante do Versa é que se está dirigindo um Kicks, mas com posição mais baixa. E isso é positivo. O Kicks é um jipinho muito agradável e o Versa também. O acabamento e a arquitetura interna são idênticas ao do SUV. Painel, quadro de instrumentos, equipamentos. Tudo remete ao utilitário fluminense.

Motor

E quando se acelera também se lembra do Kicks. O Versa é equipado com o mesmo motor 1.6 de 114 cv e 15,5 mkgf de torque. Trata-se do motor com menos fôlego entre os utilitários e um dos mais mansos entre os sedãs compactos. 

A Nissan argumentou que preferiu esse motor a um moderno bloco 1.0 turbo devido ao custo de manutenção. Nas palavras dela, não seria justo vender um automóvel com custos futuros pesados.

Mas fato é que um pouco mais de vigor não faria mal ao Versa. Afinal é um carro de R$ 93 mil, na versão topo de linha. Faixa de preço que supera grande parte dos rivais, com exceção do Virtus Highline. 

Além disso, é preciso ser franco que seus 114 cv não diferem muito de que seus conterrâneos City e Yaris entregam. No entanto, se a Nissan busca um novo posicionamento, não seria problema trazer uma opção mais sofisticada. Ainda mais que é importado.

Ao volante

Mas é preciso reconhecer que esse motor resolve bem. Ele não é capaz de entregar todo torque abaixo dos 2,5 mil rpm, como uma unidade turbo. Mas boa parte da força está disponível em rotação mediana. 

Ou seja, para o uso urbano ele resolve muito bem. E na estrada, quando se atinge a velocidade de cruzeiro, o CVT ajusta a relação para trabalhar na faixa dos 2 mil giros, o que garante boa eficiência e funcionamento silencioso. Igualzinho ao Kicks.

Segundo o Inmetro, o consumo da versão é de urbano é de 8,0 km/l (E) e 11,7 km/l (G). Já o rodoviário registrado foi de 10 km/l (E) e 13,9 km/l (G).

Seu ajuste de suspensão é bem firme. Segundo a marca, o time de engenharia desenvolveu um ajuste específico para o mercado brasileiro, que é diferente do que é oferecido nos Estados Unidos e México. 

O resultado agrada, o carro segura muito bem nas curvas. Na gíria dos “pilotos”: não falta chão. As rodas aro 17 (exclusivas da versão) ajudam na absorção das irregularidades. Se fossem menores poderiam transferir as depressões para a cabine. Nos quebra molas, ela mostra o quão é dura, mas não chega a socar como num esportivo. 

Conteúdos e acabamento

O novo Versa é um carro muito bem recheado em sua versão mais refinada, a Exclusive. Tem o pacote trivial, como direção elétrica, partida sem chave, ar-condicionado digital, multimídia de sete polegadas (com conexão Apple CarPlay e Android Auto, assim como câmera 360 graus e GPS nativo), vidros e retrovisores elétricos, rodas de liga leve aro 17 e faróis em LED completam o pacote. 

Mas ele também oferece itens de segurança que se destacam diante dos rivais. O modelo ainda não conta com o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), mas oferece alerta de colisão com auxílio de frenagem emergencial, monitor de ponto cego, sensor de tráfego cruzado em ré, assim como sensor de objetos no banco traseiro. Ele registra a abertura das portas e te avisa se algo estiver sobre o banco, como uma criança, por exemplo. A GM já utiliza esse equipamento há bom tempo e é bastante útil.

O acabamento do Versa impressiona. E não é exagero dizer que é um dos melhores do segmento, ao lado do City. A versão conta com apliques em couro no painel e nos encostos de braço de todas as portas, como no Kicks. O isolamento acústico também é ótimo. O que se escuta basicamente é a rolagem dos pneus.

Palavra final

O Versa é um carro interessante. Infinitamente mais bonito que seu antecessor, chama atenção por onde passa. Na versão topo de linha, o Versa não deixa a desejar em conteúdos e prima pelo acabamento diante dos rivais. O que pega é seu motor 1.6. Ele é eficiente e satisfatório, mas falta o vigor que os pequenos turbinados de VW, GM e Hyundai entregam.