O Latin NCAP, órgão independente que avalia a segurança dos automóveis vendidos na América Latina, anunciou, em webinar para a imprensa, novos protocolos que tornaram suas avaliações mais criteriosas. A nova metodologia de avaliação que vigorará até 2024 passa a contemplar também, além da segurança para adultos e crianças, proteção para pedestres e a inclusão de assistentes de condução em sua pontuação.

Entre os novos critérios, o instituto, que tem sede no Uruguai, também torna os testes de impactos mais rígidos. Um dos novos critérios é o vazamento de combustível. Segundo o Latin Ncap, nos ensaios de colisão frontal, lateral e no teste do poste (que também se torna padrão), caso o tanque seja avariado e ocorra derramamento do líquido inflamável, todo o teste será penalizado.

Pedestres

A proteção para pedestres também passa a contar pontos a favor ou contra no novo protocolo do órgão. A intensidade de danos em caso de atropelamento de pedestres e ciclistas também impactará na nota final.

Mas a novidade é que a tecnologia também contará pontos a partir de agora. O controle de estabilidade (ESP) é item obrigatório para se obter nota máxima. Ou seja, o carro pode ser aprovado em todos os quesitos, mas se não tiver o sistema, perderá pontos.

Itens como aviso de uso de cinto de segurança, sensor de ponto cego, monitor de faixa, limitador de velocidade e frenagem autônoma de emergência (AEB) garantem estrelinhas. Boa parte desses equipamentos já estão presentes no mercado, inclusive em modelos compactos. O próprio Hyundai HB20, que teve a nota rebaixada para uma estrela recentemente, conta com EAB em sua versão topo de linha.

Rigor

O aumento do rigor nos testes, segundo o Latin NCAP, tem como objetivo alertar os governos sobre a necessidade aumentar a segurança dos automóveis, assim como forçar fabricantes a tornar seus produtos mais seguros.

Na apresentação, a entidade deu como exemplo o caso do Chevrolet Onix que recebeu nota zero em 2017, devido a falta de reforços contra impactos laterais, e que ajustou o carro para ampliar sua segurança. Ela também dá como exemplo o Ford Ka, que abriu a porta na colisão lateral, em 2017, diferentemente da versão europeia, mas que também passou por mudanças que foram atestadas em 2018.

O diretor geral da Latin NCAP, Alejandro Furas, deixou claro que modelos de grande volume sempre serão acompanhados de perto. E faz sentido, são carros que representam a maioria nas ruas, muitos deles com listas de equipamentos mais simples, o que pode impactar em sua segurança. 

Furas também disse que os primeiros testes com o novo protocolo já foram realizados. Os resultados começarão a ser divulgados em breve. Mas adianta: “Nenhum modelo obteve nota máxima”.