A disputa por uma das 41 cadeiras da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), em novembro, terá apenas 5% a mais de candidatos que no pleito de 2016. Serão 1.555 concorrentes (37,9 por vaga), 37 deles em busca de reeleição, ante 1.484 há quatro anos. 

O percentual surpreende, já que, este ano, não foram permitidas coligações para a briga nos Legislativos, e esperava-se crescimento mais expressivo no volume de postulantes. “Como não tivemos as coligações para a eleição proporcional, imaginamos que os partidos iriam lançar um monte de candidatos”, diz o cientista político Rudá Ricci. 

Outros números da disputa, contudo, chamaram a atenção, como o da elevação na quantidade de advogados, médicos e donos de empresas, entre outras ocupações declaradas pelos concorrentes. A maior alta foi entre bacharéis em Direito: a quantidade passou de 44, há quatro anos, para 76 agora (63% a mais). Mas o volume de médicos também deu um salto percentual expressivo: de 13 candidatos com tal formação na eleição de 2016, a turma do jaleco branco passou para 18 integrantes, na atual (38% de aumento). 

Embora muitos dos advogados usem “doutor(a)” como parte do “nome de guerra” eleitoral, os médicos também se destacaram no quesito: são 14 homens e mulheres graduados na área que adotam tal designação na campanha pela CMBH.

Esse último aumento observado em BH reflete tendência nacional. Em todo o país, segundo o TSE, os registros de candidatos da área de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas) somaram 12.202 em 2020, quase 20% a mais do que em 2016. 

Para Rudá Ricci, apesar de o crescimento dos representantes do segmento da saúde sugerir relação direta com a pandemia – tais profissionais, dedicados ao enfrentamento da doença, se valeriam do reconhecimento dos eleitores para obter mandatos –, trata-se também de uma tradição. “A saúde sempre foi uma demanda fortíssima no país e isso se reflete nas candidaturas”, afirma. 

Já entre quem se autodeclara empresário, também houve avanço no número de candidatos na capital, na comparação com 2016: de 118, passaram a 142 (20% a mais). Como no caso anterior, Ricci detecta aí a consolidação de uma tendência histórica no Estado. “Se você pegar todos os estudos que temos sobre a Assembleia Legislativa de Minas, verá que temos o maior número de empresários como deputados do país”, ressalta. “Com vitórias recentes de políticos que se dizem apolíticos, e que são empresários, esse movimento ganhou um estímulo ainda maior”. 

Outro aspecto curioso é o uso pelos candidatos de BH de atividades ou locais de trabalho junto aos nomes para atrair votos. Nove postulantes, por exemplo, usam “do bar” como sobrenome. São ainda 48 nomes precedidos por “professor(a)” e 25 por títulos religiosos. Para Ricci, trata-se de um exercício de marketing dos concorrentes, “para se diferenciarem e se posicionarem perante os demais”.

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