Candidato do PCdoB à Prefeitura de Belo Horizonte, Wadson Ribeiro, entrevistado de ontem no ciclo de lives do jornal Hoje em Dia, garantiu que pode trazer desenvolvimento econômico para a cidade com alguns investimentos, especialmente, em obras públicas, mesmo que não sejam “faraônicas”. “Além de fortalecer a infraestrutura, essa ação pode abrir frentes de trabalho”, afirmou Ribeiro.

O candidato também detalhou o projeto de transferência de renda para milhares de famílias vulneráveis da capital. “A família vai gastar no comércio local, no sacolão do bairro, e esse dinheiro volta para a prefeitura (por meio de recolhimento de impostos)”, disse.

Para reduzir o número de pessoas em situação de rua, Ribeiro propõe um programa de capacitação para que as pessoas sem domicílio possam se inserir no mercado de trabalho. Além disso, haveria investimento em atendimento médico e atenção para a dependência química, vivenciada por muitos moradores de rua.
“Proponho um conjunto de medidas para resgatar a autoestima, para que os moradores de rua estejam trabalhando, com renda. Pode ser que alguns ainda desejem estar na rua, mas será a minoria”, afirmou.

Na correção de gargalos existentes hoje na área da saúde, Ribeiro propõe investimentos nas equipes de medicina da família e na atenção primária, para que haja um reforço na prevenção de doenças e os hospitais sejam menos demandados.

Já para o ensino, o candidato acredita que deve haver um reforço na universalização da educação infantil para crianças de 0 a 3 anos, trabalho para a alfabetização de 50 mil jovens e adultos e investimentos para que as escolas municipais tenham melhor qualidade no ensino. “É preciso capacitar professores, ter melhores bibliotecas físicas, atrair a atenção dos estudantes”, afirmou.

Ribeiro voltou a criticar propostas, como a de um de seus oponentes na corrida pela PBH, o deputado federal Lafayette Andrada (Republicanos), de instituir escolas cívico-militares na rede pública municipal. “Virou moda pessoas condicionarem suas imagens a Bolsonaro. Mas escola foi feita para ser dirigida por professores e pedagogos, não pode ser dirigida por militares ou religiões, tem que ser laica”, ressaltou. 

“Por que escolas militares têm desempenho melhor? Porque o orçamento é infinitamente maior. Se o orçamento nas escolas públicas for maior, escolas públicas terão os mesmos índices”.

Para deixar claro seu posicionamento político nos 16 segundos a que tem direito na Propaganda Eleitoral Gratuita, Ribeiro tem afirmado ao público que é um candidato da esquerda – repetindo a opção ideológica três vezes seguidas, em uma das gravações. 

“Minha campanha tem um papel de alerta para as pessoas sobre esse absurdo que o mundo vive, de crescimento da ultradireita, com Donald Trump atribuindo à esquerda todos os males do mundo”, afirmou o candidato. “Não temos vergonha de ser esquerda. É bom para a democracia que haja correntes de esquerda, direta e centro. Errado é caminhar para o fascismo”.

Ex-secretário executivo no Ministério dos Esportes, durante o governo Lula, Ribeiro acredita ser importante neste momento lembrar dos pontos positivos dos governos de esquerda no Brasil.

“Pretendo dar esse grito, dizer que a esquerda teve muitos erros, como todas correntes políticas, mas também teve suas conquistas. Não precisa ser execrada pelas correntes ultraconservadoras. Temos que acreditar na ciência, que a terra não é plana, que as instituições precisam funcionar”.

Para Ribeiro, o tempo na TV e no rádio é insuficiente para apresentar propostas para o eleitorado. Ele reforçou, contudo, que sua plataforma está disponível em redes sociais. O representante do PCdoB afirmou ainda que, entre os candidatos de esquerda que disputam a PBH, ele é o que possui uma maior experiência na administração pública. “Entre as candidaturas, a minha é a que possui mais apetite e experiência”.