Candidato do PT à Prefeitura de Belo Horizonte, Nilmário Miranda, décimo entrevistado pelo Hoje em Dia entre os 15 postulantes ao comando do Executivo municipal, disse nesta segunda-feira que acredita ser possível unir a esquerda no segundo turno, em 29 de novembro, para enfrentar o candidato à reeleição, prefeito Alexandre Kalil, que aparece disparado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

 

Nilmário lembrou que, dos 15 candidatos à PBH, há três de esquerda e o PT conversou com eles, em busca de uma parceria, antes do começo oficial da campanha. A frente para confrontar o atual prefeito na disputa não vingou, segundo ele, porque, desde que há dois turnos na eleição, as alianças se dão no segundo turno. “Temos três candidatos da esquerda. Não foi uma divisão da esquerda”.

“Logo que fui indicado, em 4 de julho, nos reunimos com candidatos de esquerda. O PCdoB não quis pela cláusula de barreira (norma que impede ou restringe o funcionamento parlamentar ao partido que não alcançar determinado percentual de votos). E o PSol só aceitaria se encabeçasse a chapa”, contou Nilmário Miranda.

Em sua avaliação, o prefeito Alexandre Kalil foi o único que apareceu durante toda a pandemia. “É natural que ele tenha essa prevalência. Mas a eleição está começando agora e acredito que teremos como unir a esquerda no segundo turno”.

Transporte público

Nilmário Miranda, que é jornalista, ex-deputado estadual e federal e ex-secretário de Direitos Humanos do governo Lula e do governo Pimentel, em Minas, defendeu, na live do Hoje em Dia, a complementação do Move na capital mineira, para o eixo Oeste. E, segundo ele, apesar de o metrô depender de recursos federais, cabe ao prefeito articular isso. “Temos 53 deputados federais de Minas e três senadores. É preciso mobilizá-los para concluir o trecho Calafate-Barreiro do metrô”, ponderou.

“Temos uma proposta que acho fundamental, a de instituir uma renda municipal para completar o Bolsa Família. Reduzir o auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 já é uma perversidade. Acabar com os R$ 300 no fim do ano será pior ainda. Estamos propondo criar uma renda municipal para completar o Bolsa Família”, falou o candidato.

Ele criticou a falta de atenção com a população de rua em Belo Horizonte: “O direito de tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias e ter um teto para viver é básico, tem a ver com a dignidade da pessoa humana”.

Legado

Nilmário Miranda defendeu ainda que “o PT deixou um legado poderoso para a capital. É uma cidade que funciona bem, independentemente do prefeito, graças às quatro administrações do PT. Mesmo prefeitos que não comungam com nossa linha política conseguem administrar isso. Estipulamos 30% para a educação, deixamos um legado de mobilidade urbana sem precedentes”, argumentou.

“Urbanizamos as favelas de Belo Horizonte, fizemos lagoas de contenção, como a Barragem Santa Lúcia, os parques. É importante a gente lembrar isso, para cobrar a retomada. Fomos nós que fizemos as Umeis, começamos as creches, criamos a escola integral. Aqui foi a primeira cidade do Brasil a implantar a gestão plena do SUS, pelo ‘Doutor BH’, Célio de Castro, quando vice do Patrus”, frisou ainda.

Sobre o uso do termo “economia de guerra” durante a campanha rumo à PBH, Nilmário explicou que é um pacifista por natureza e que a expressão é uma metáfora.

“Na crise de 30 e no pós-Segunda Guerra, houve programas para sair da recessão profunda. Por isso usei essa expressão ‘economia de guerra’. Temos que fazer algo semelhante nas nove regionais de BH. Cada regional tem que ser reconstituída. Hoje, para pagar um IPTU, você tem que sair dos extremos da cidade, no Barreiro e em Venda Nova, para ir ao BH Resolve, no Centro de BH. O serviço necessário ao cidadão deve estar a 15 minutos de distância. É a tese do bem-viver”.

A proposta do jornal Hoje em Dia é entrevistar os 15 candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte. Confira o cronograma das próximas lives:

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