Os incêndios dentro de parques estaduais mineiros mais que dobraram em menos de 30 dias. Em agosto, foram 77 ocorrências contra 179 registradas de 1º a 29 de setembro, conforme dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad). O aumento chega a 132% e deve subir ainda mais.

Para se ter uma ideia, só ontem as equipes estavam combatendo 14 queimadas florestais. Uma das áreas mais atingidas era o Monumento Natural<COLINK> Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, na região Central, que tem 150 hectares. Mas de acordo com o Corpo de Bombeiros, pelo menos 100 hectares da unidade de conservação já tinham sido consumidos pelas chamas.

No Parque da Serra do Cipó, o fogo também estava sendo combatido até a noite de ontem. Os trabalhos devem ser reiniciados na manhã de hoje.

Já em Lima Duarte, na Zona da Mata, é o Parque Estadual do Ibitipoca que preocupa. Conforme a corporação, cerca de 500 hectares da reserva foram queimados. 

O cenário de cinzas adiou a reabertura ao público, que iria acontecer hoje. A unidade estava fechada há seis meses em função da pandemia de Covid-19. “Agora terão que organizar tudo de novo. O parque já estava preparado para retomar as atividades”, lamentou Ronaldo de Moraes, secretário da Associação dos Moradores e Amigos do Ibitipoca (Amai).

As ocorrências estão espalhadas por vários pontos de Minas, destaca Rodrigo Belo, gerente de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do Instituto Estadual de Florestas (IEF). 

A combinação de vários meses sem chuvas, tempo seco e temperatura alta ajuda a propagar o fogo. “Porém, isso sozinho não seria problema se não fosse a ação humana. Incêndios florestais não se iniciam simplesmente pelo fator de estar seco”, observa Rodrigo, que também é coordenador operacional da Força-Tarefa Previncêndio.

O desafio, no entanto, é encontrar e punir os infratores. Em nota, a Polícia Civil informou que, para decidir se haverá inquérito de investigação, indícios coletados pelo Corpo de Bombeiros na área atingida são periciados. 

“Uma grande dificuldade encontrada para a investigação é de que muitas vezes não há uma motivação clara para a prática do incêndio”. Denúncias podem ser feitas, pessoalmente, tanto nas delegacias quanto na Polícia Militar. Por telefone, pelos números 197, 190 e 181.

 

Comunidade estava se preparando para reabertura de unidade de conservação

As queimadas no Parque Estadual do Ibitipoca não trouxeram impactos apenas para o meio ambiente. Fechada há cerca de seis meses, por causa da pandemia de Covid-19, a unidade de conservação seria reaberta hoje com expectativa de atrair turistas que fazem girar a economia local. 

O teste de fogo para saber como seria o funcionamento seria realizado ontem, com os próprios moradores que vivem em uma vila a três quilômetros da reserva, contou o secretário da Associação de Moradores e Amigos do Ibitipoca (Amai), Ronaldo Moraes.

“É algo muito lamentável. Durante a pandemia, houve um esforço grande tanto da gerência do parque quanto dos funcionários e voluntários para fazer a sinalização, as trilhas, deixar tudo arrumadinho para esse momento. Todos estavam eufóricos, a alegria era muito grande, e de repente tudo queimado. É muita tristeza”, disse.
O secretário da Amai acredita que alguém tenha causado as chamas. “Semana passada choveu tres dias seguidos, o chão estava bem molhado. Não é possível que tenha sido ocasional”.

Prejuízos
Segundo Ronaldo Moraes, o fechamento da unidade de conservação afetou parte dos 1,5 mil moradores e comerciantes da vila. 
Sem visitantes, restaurantes tiveram prejuízos. Já outras pessoas, que trabalham em estabelecimentos como pousadas, não tiveram como arcar com a contas básicas e até com a alimentação. A Amai, inclusive, promoveu uma campanha para ajudar os trabalhadores.