O número de desocupados (pessoas que procuram trabalho e não encontram) cresceu quase 28% no país e cerca de 18% em Minas Gerais entre a primeira semana de maio e o final de agosto, durante a pandemia do novo coronavírus, segundo o IBGE. No Estado, o índice era de 10,4% em maio e foi a 12,3%. No Brasil, a taxa subiu de 10,5% para 13,6%.

Divulgados ontem, os dados da última edição da Pnad Covid, iniciada pelo instituto há quatro meses, mostram os piores resultados da série histórica, indicando que o número total de vagas fechadas no Brasil, em decorrência da crise sanitária, já passa de 10 milhões.

Especialistas avaliam, contudo, que o crescimento do desemprego nos meses mais recentes se explica, em parte, por uma boa notícia: a cada mês, mais e mais pessoas sem colocação, que encontravam-se desalentadas ou cumpriam à risca o distanciamento social no início da pandemia – o que as privava, inclusive, de buscar oportunidades –, estão voltando à batalha.

“O afrouxamento das medidas de distanciamento social tem tido impacto direto na taxa de desocupação, fazendo com que ela cresça justamente porque as pessoas passam a procurar por trabalho (e sejam incluídas na estatística)”, diz a coordenadora da Pnad Covid, Maria Lúcia Vieira.

Também em agosto, a taxa de desocupação em Minas foi considerada a menor da Região Sudeste. O campeão no indicador foi o Rio de Janeiro (15,0%), seguido por São Paulo (14,5%) e Espírito Santo (12,6%). Já em termos de Brasil, as regiões Norte, Nordeste e Sudeste tiveram aumento da taxa de desocupação comparada com julho, enquanto a Região Centro-Oeste apresentou estabilidade e a Região Sul mostrou pequena queda. 

Recuperação
]Para o economista e professor de finanças Juliano Pinheiro, da UFMG, embora a elevação no número de desocupados tenha relação com a retomada, para deixar mesmo a crise o Brasil e Minas precisarão de três coisas: tempo, tranquilidade no ambiente econômico – sem novas e desagradáveis surpresas, como foi a pandemia – e ações efetivas para gerar empregos. 

“A previsão é de que vamos fechar este ano com queda de 5% do PIB. Se em 2021 a estimativa é de crescermos de 3,5% a 4%, isso se dará sobre base 5% menor. Como associamos o crescimento do PIB à geração de postos de trabalho, podemos dizer que, desde que as condições atuais não se alterem para pior e que tenhamos uma vacina em breve, levaremos cerca de dois anos para recuperar a economia”, ressalta.

 

‘Coronavoucher’ elevou renda de famílias em mais de 2.700%

Motivo de polêmica na mídia e nas redes sociais em razão do suposto valor total distribuído até agora, após discurso feito anteontem, na ONU, pelo presidente Jair Bolsonaro – que cravou o montante em US$ 1 mil por beneficiário, em média, somando todas as parcelas –, os auxílios emergenciais, como o “coronavoucher”, de R$ 600 mensais pagos entre abril e agosto, também foram destaque entre os dados da Pnad Covid de agosto.

Segundo o IBGE, ao todo, 30 milhões de lares brasileiros tiveram ao menos um morador com direito a ajuda financeira governamental. Isso incluiu o auxílio emergencial pago pela Caixa e a complementação salarial do governo pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

Além disso, a ajuda ampliou de maneira fundamental a capacidade de sobrevivência e de consumo da parte mais desfavorecida da população. Sem o auxílio, por exemplo, os cerca de 6,6 milhões de domicílios mais pobres, informou o instituto, teriam renda mensal per capita de R$ 12. Com o benefício, o valor teve um salto de mais de 2.700%, chegando a R$ 349. 

No Estado
Em Minas, ainda conforme o IBGE, foram 2,94 milhões de lares com direito a algum auxílio do governo referente à pandemia. O montante, que manteve-se estável em relação a julho, representou 40,7% do total de domicílios. Ou seja, a cada dez casas no Estado, quatro gozaram de benefício recebido por ao menos um morador. 

Para o economista Juliano Pinheiro, tais medidas foram importantes e deverão continuar sendo, pelo menos, até dezembro – a despeito da redução do “coronavoucher” à metade.

Ele destaca, contudo, que “não é papel do governo manter pessoas em situação de dependência”. O certo, diz, seria redobrar esforços para melhorar o ambiente econômico, favorecendo investimentos. “Esses benefícios deveriam até continuar para as parcelas mais pobres. Mas, mais importante do que isso, é a criação de condições favoráveis à geração de empregos”, afirmou