Kalil

Kalil foi da presidência do Atlético à PBH

Pela terceira eleição consecutiva à Prefeitura de Belo Horizonte, o esporte, e mais precisamente o futebol, estará envolvido intimamente na disputa. No pleito de 2012, é bem verdade que não havia um personagem ligado diretamente a ele, mas o suporte dos governos federal e estadual com uma pesada agenda de intervenções urbanas destinadas à Copa do Mundo de 2014 (e ao torneio da modalidade dos Jogos Olímpicos do Rio) se mostrou fundamental para a escolha de Márcio Lacerda. Há quatro anos, dois nomes de enraizada história no Atlético acabaram se enfrentando no segundo turno: o então estreante Alexandre Kalil (PSD), ex-presidente do clube, e o deputado estadual João Leite (PSDB), goleiro alvinegro nas décadas de 1970 e 1980.

Desta vez, o hoje prefeito Kalil, agora com os quatro anos de experiência à frente da administração municipal, terá, como um dos adversários, o deputado estadual e ex-vereador João Vítor Xavier (Cidadania). Que construiu uma sólida carreira como repórter e apresentador na Rádio Itatiaia, sempre tendo o futebol como foco.

Para o especialista em marketing político Daniel Machado, o esporte tem o poder de aproximar candidato e eleitor, mas ele acredita que o perfil dos candidatos e sua capacidade de interagir com a população acabaram determinando seu sucesso nas urnas. "Nós tivemos casos recentes de ex-dirigentes, ou jogadores, que não foram eleitos. O esporte é uma porta de entrada para unir as pessoas, é verdade, como talvez aspectos como a religião não sejam, tanto mais por agregar pessoas das mais diferentes origens e classes sociais. E o voto tem muito de um componente emocional. Mas o que eu identifico são pessoas que sempre souberam se comunicar muito bem, seja à frente de um clube

João Vítor Xavier

João Vítor se destacou a partir da cobertura esportiva

(Kalil), seja falando em rádio (João Vítor)  que, em Minas, é um meio que elege muito mais do que a TV, por exemplo".

 

Postura
Daniel acredita que os dois personificam uma postura esperada pelo eleitor, diante de tantos episódios que acabaram por tirar a credibilidade do político tradicional. "O Kalil sempre se colocou ao lado do torcedor, e agora do cidadão. Se mostra indignado, aposta na fala de impacto, e cria uma empatia mesmo quando vai dizer que não conseguiu algo que se esperava dele. Isso foi muito bem trabalhado por sua equipe. No caso do João Vítor, também é alguém que aparece mais próximo do público, e se afasta dos padrões tradicionais do parlamentar e do candidato", define.