Depois de fazer sucesso na internet ao envelhecer o rosto dos usuários, o FaceApp está de volta. Dessa vez a onda que popularizou novamente o aplicativo foi a função de alterar o gênero da pessoa nas fotos. Uma mulher pode rapidamente se transformar em homem e vice-versa.

Famosos e anônimos entraram na brincadeira durante o fim de semana e postaram diversas montagens nas redes sociais.

O FaceApp, disponível nas lojas da Apple Store ou Google Play, além de alterar o gênero, acrescenta barba, envelhece e muda a cor do cabelo. Nem todos os filtros estão disponíveis gratuitamente, sendo necessária a aquisição de uma assinatura “Pro” para algumas funcionalidades.

Vale lembrar que o aplicativo já levantou debates sobre o uso de dados dos usuários. A empresa alega garante que as fotos usadas são deletadas em até 48 horas.

Como usar

O editor de fotos e vídeos usa uma tecnologia de inteligência artificial para gerar as transformações faciais automaticamente. Ao baixar o aplicativo, o sistema detecta na galeria de imagens do dispositivo pessoal quais fotos podem ser utilizadas. 

As escolhidas são aquelas as que têm como destaque o rosto das pessoas. Também é possível logar com o Facebook e usar fotos já publicadas na rede social.

É seguro usar?

Desenvolvido pela empresa russa Wireless Lab, o FaceApp não é novidade. Em julho do ano passado, o sistema virou febre após simular o envelhecimento do rosto dos usuários. A aplicação chamou atenção juntamente com a polêmica de que, supostamente, roubaria dados das pessoas.

Na ocasião, a Fundação Procon de São Paulo notificou o aplicativo FaceApp e as empresas Apple e Google, proprietárias das lojas virtuais que disponibilizam o aplicativo, para que elas esclarecessem a política de coleta, armazenamento e uso dos dados dos consumidores que utilizam o aplicativo de celular. Mas será que continua problemático?

Atualizada no último dia 4, a Política de Privacidade do FaceApp (disponível aqui, em inglês) informa que o app não usa as fotografias fornecidas pelo usuário "por qualquer motivo que não seja o de fornecer a funcionalidade de edição de retrato do aplicativo". Segundo a empresa, a imagem do usuário é compartilhada com os provedores em nuvem, especificamente, o Google Cloud Platform e o Amazon Web Services, para processar e editar fotografias.

Após isso, elas ficam armazenadas em cache temporariamente e são criptografadas a partir de uma chave armazenada dispositivo do usuário. "As fotografias permanecem na nuvem por um período limitado de 24 a 48 horas após a última edição da fotografia, para que você possa retornar à imagem e fazer alterações adicionais, se assim desejar", explicou.

"Não usamos as fotografias que você fornece ao usar o aplicativo por qualquer motivo que não seja o de fornecer a funcionalidade de edição de retrato do aplicativo", concluiu.

No entanto, na mesma página da Política de Privacidade, a ferramenta informa que "pode coletar informações" sobre o usuário, incluindo: as fotografias enviadas; informações de uso do aplicativo; histórico de compras (se o usuário optar por comprar uma assinatura do aplicativo); informações de mídia social (como em quais redes o usuário está e a quantidade de amigos nessas redes); e os dados do dispositivo (como o modelo de telefone utilizado).

Outra informação que pode ser coletada, segundo o FaceApp, e aquela que parece mais relevante do ponto de vista comercial da empresa, são os dados de atividade online. Isso porque esses dados podem ser visualizados, segundo a plataforma, pelas "redes de publicidade on-line e seus clientes" do FaceApp.

Entre os dados estão o uso e ações no aplicativo e nos sites, incluindo páginas ou telas visualizadas, quanto tempo você passou em uma página ou tela, caminhos de navegação entre páginas ou telas, informações sobre sua atividade em uma página ou tela, horários de acesso e duração do acesso.

A Política não é clara se o sistema monitora a visualização de telas a qualquer momento ou apenas se o app estiver aberto ou durante seu uso. Porém, o FaceApp afirma que pode usar os dados captados para criar "dados anônimos, agregados ou desidentificados".

"Podemos criar dados anônimos, agregados ou desidentificados de suas informações pessoais e de outros indivíduos cujas informações pessoais coletamos. Transformamos informações pessoais em dados anônimos, agregados ou desidentificados, removendo as informações que os tornam pessoalmente identificáveis. Podemos usar esses dados anônimos, agregados ou desidentificados e compartilhá-los com terceiros para nossos fins comerciais legais", disse.

Resumo da ópera: como diz o ditado do marketing, "se você não está pagando por um serviço na web, então o produto é você". Ou seja, se você usa plataformas gratuitas, como é o caso do FaceApp, os seus dados podem estar sendo acessados para serem comercializados para anúncios e outras empresas. Se você não concorda com isso, a única forma é não utilizá-los.

(Com Anderson Rocha)

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Veja abaixo algumas montagens de famosos: