Estava tudo pronto para “O Saci” começar a ser rodado nas próximas semanas em Cataguases, na Zona da Mata mineira. Assim como outras três produções previstas no polo audiovisual local, as filmagens foram adiadas devido à pandemia, deixando uma numerosa equipe momentaneamente sem trabalho.

A interrupção não desanimou o diretor Bruno Bennec, que pretende voltar ao set brevemente. A ideia dos realizadores é de se tornar uma referência para as produções cinematográficas a partir de um modelo pensado para seguir as regras de controle sanitário.

“Estamos criando as condições para que ele volte a ser gravado neste segundo semestre. Para isso, estamos mudando roteiro e rediscutindo o tempo de filmagem, a composição do set e dos cenários e do próprio elenco”, revela ao Hoje em Dia Cesar Piva, diretor executivo do Polo de Cataguases.

O média-metragem sobre o personagem do folclore brasileiro deverá ganhar um formato híbrido, com inserção de animações e cenas de arquivo. “Já fizemos dois laboratórios com profissionais da saúde e da arquitetura e o resultado tem sido positivo”.

Piva salienta que uma das primeiras discussões envolve a permanência da equipe num set (local de filmagem). O tempo médio é de 12 horas, duração que deverá cair drasticamente, assim como a quantidade de pessoas presentes – uma produção geralmente reúne 50 profissionais.

As outras três produções paralisadas em Cataguases são o telefilme “Comadres” e a série de ficção “Azul Celeste”, ambos da produtora Dromedário, e “Zé”, de Rafael Conde. “Agora temos que aguardar o que irá acontecer, quais serão os protocolos de segurança”, lamenta Breno Nogueira, produtor dos dois primeiros. Ele também está envolvido na realização de um documentário sobre o compositor mineiro Ary Barroso. “Este, pelo menos, dá para ir fazendo alguma coisa à distância, como pesquisa de imagem de arquivo”, observa.

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