A Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL-BH) admitiu a ocorrência de “erros pontuais”, ontem, no primeiro dia da fase 1 de reabertura do comércio da cidade, após mais de dois meses de quarentena em razão da Covid-19. Mas, no balanço geral do dia, considerou a iniciativa “um sucesso”.

O processo beneficiou cerca de 11 mil lojas de setores variados, de móveis, cama, mesa e banho a peças e acessórios para automóveis, passando por perfumarias, salões de beleza e os shoppings populares. Segundo a PBH, voltaram ao trabalho aproximadamente 30 mil pessoas.

Para o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, mesmo com eventuais deslizes, como cartazes informativos mal colocados em algumas lojas e filas longas na porta de determinados locais, caso do shopping Oiapoque, na região Central, sobraram motivos para comemorar. 

Com aprimoramentos nos próximos dias, segundo ele, a expectativa é de que a experiência seja estendida, já a partir da semana que vem, com a permissão de reabertura também das lojas de calçados, vestuário e acessórios de moda, além dos shoppings tradicionais, “desde que seguidas todas as diretrizes do comitê de especialistas montado pela PBH.

“A gente entende que esse primeiro dia foi um sucesso, entre outras razões, porque não tivemos um aumento exagerado do público nas ruas, como algumas pessoas imaginavam. Além disso, a maioria das lojas seguiu todas as recomendações à risca”, afirmou o presidente. 

Souza e Silva disse ainda que a CDL-BH criou uma espécie de força-tarefa para assegurar que os empresários contemplados na fase 1 se esmerem cada vez mais no cumprimento das regras definidas pela PBH. Além de colocar mil faixas educativas em diversos pontos da cidade, a entidade contou com integrantes de diretorias percorrendo o Centro e alguns bairros, alinhando as estratégias com os comerciantes. “Esperamos que, em até seis semanas, todo o comércio reabra dentro dessa ‘nova normalidade’”, pontuou.

Oiapoque 
O Shopping Oiapoque, o maior do segmento em BH, montou uma operação de guerra para reabrir as portas ontem. Não impediu, contudo, uma enorme fila de clientes pela manhã – muita gente pensou que o funcionamento começaria às 9h, e não às 11h.

O espaço adotou medidas rígidas para evitar a contaminação pela Covid-19, com medição de temperatura de clientes e distribuição de álcool em gel. O número de visitantes simultâneos foi reduzido de 3 mil para 507 e as lojas passaram a fazer rodízio de abertura. 

“Divididas, elas funcionam alternadamente, dia sim, dia não. Além disso, há sinalização no chão indicando até onde o comprador pode se aproximar da loja”, explicou o sócio-diretor do shopping, Mário Valadares, lembrando que um ‘app‘ também foi adaptado para indicar as lojas ao público. “Assim, a pessoa já é orientada quanto ao caminho para ir aonde deseja”. Com Renata Evangelista


Sem data para reabrir, bares e restaurantes sentem-se à deriva  

Se o comércio da capital comemora o sucesso da reabertura de milhares de lojas, mesmo que sob cuidados com saúde e segurança, o setor de bares e restaurantes, que soma 80 mil estabelecimentos em BH, segue sem qualquer definição quanto a uma possível retomada.

Em áudio divulgado nas redes sociais, ontem, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o mineiro Paulo Solmucci, fez um apelo ao prefeito Alexandre Kalil para que, ao menos, sinalize com condições e prazos para que se concretize a reabertura dos negócios, hoje limitados ao delivery.

“Estamos impedidos de abrir as portas há 68 dias, acumulando prejuízos (...). Mesmo assim, o setor não mereceu ser informado pela prefeitura sobre quando se prevê a retomada das suas atividades ou, ao menos, sob quais condições objetivas ela se dará”, afirmou.

“Nem cidades que mais chamaram a atenção do mundo pela dramática propagação do coronavírus, como Nova York e Milão, tiveram seus estabelecimentos fechados por mais de 60 dias”, prosseguiu. “Nosso sofrimento será menor e o êxito em sobreviver maior se pudermos contar com sua (de Kalil) solidariedade e efetiva ajuda”. 

Uma das motivações para a mensagem foi a entrevista dada domingo pelo prefeito à Rádio Itatiaia. Kalil chegou a mencionar a situação dos bares e restaurantes, destacando que a reabertura, de fato indefinida, dependerá de uma série de fatores. “Eu, como cidadão de Belo Horizonte (...), não vou a um restaurante tão cedo”, disse o prefeito. “Quando isso estiver controlado, vamos começar a voltar a uma normalidade; se é que ela vai vir este ano, ainda”, completou. 

Kalil lembrou que não é “insensível” ou”burro” e que tem se pautado pela ciência, não por achismos, na condução da pandemia e na busca de soluções para seus impactos.

“Temos um norte. Vocês acham que eu quero ficar com gente fechada? Acham que eu não sei o que representam 80 mil bares e restaurantes fechados? Mas é uma coisa muito importante: que não esperem que tudo vá voltar ao que era antigamente”, ressaltou. 

Ontem, a PBH informou que só na sexta-feira fará um balanço da primeira semana de flexibilização do comércio e informará os próximos passos – o que pode significar a inclusão de novos setores no processo, já na semana que vem.