Ao anunciar, na terça-feira (14), medidas ainda mais duras para tentar conter a propagação do novo coronavírus em Belo Horizonte – como o uso obrigatório de máscaras pela população, a partir de sexta-feira –, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) não mediu palavras para repudiar ideias contrárias à política austera de isolamento que vem adotando, vindas da Câmara Municipal.

Anteontem, um grupo de 12 vereadores, a maior parte defensora de uma “flexibilização responsável” das restrições ao comércio na capital, pediu, durante audiência com o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, que representantes da Casa fossem incluídos pelo prefeito no comitê de enfrentamento da crise. 

Perguntado sobre tal possibilidade, nessa terça-feira, Kalil foi enfático: “Posso responder de uma forma muito simples: eu, que sou o prefeito, não tenho gabarito para participar (do comitê). Vou apenas fazer cumprir. Então, há uma pretensão muito grande, eu não sei de quem foi dito isso, de se sentar com três infectologistas e com o secretário de Saúde, que trabalha no SUS desde 1982, para discutir reabertura ou protocolo de reabertura da cidade”, afirmou. “Eu acho que as coisas têm que ter limites”, completou.

Um dos autores do pedido refutado pelo prefeito, o vereador Fernando Borja (Avante) reagiu, ontem à tarde, também com dureza às declarações. “Em primeiro lugar, ele (Kalil) comprova que é incompetente. Em segundo, o comitê de crise não é só para tratar da saúde; temos que sair desta crise econômica”, disse Borja.

A exemplo do que fizera anteontem, o parlamentar voltou a defender que a PBH teste em massa a população, sobretudo os servidores municipais, para que a cidade possa gradualmente superar o isolamento social e retomar as atividades econômicas. 

“Hoje, a prefeitura tem um orçamento diário de R$ 33 milhões; para testar e certificar seus funcionários, fazendo com que os já imunes ao vírus retomem normalmente suas atividades, gastaria o equivalente a 15 minutos desse orçamento”, afirmou. 

Ainda segundo o vereador, que acusou Kalil de “achar-se o dono da cidade” e agir como “garoto propaganda do coronavírus”, o momento seria de somar esforços para encontrar soluções para os efeitos econômicos da pandemia. “Será que o prefeito pensa que somente médicos vão resolver o problema da economia? Não vamos sair da crise enquanto ele não tiver a humildade de unir o Legislativo e outros setores da sociedade nesse trabalho”, concluiu.

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