Após se consolidar com status de um dos melhores carnavais do Brasil, a folia em Belo Horizonte é garantia de renda extra para um incontável número de pessoas, ávidas por um público estimado pela Belotur em aproximadamente 5 milhões de pessoas. Para quem sobrevive sem uma carteira de trabalho assinada, a festa mais popular do país também é oportunidade tanto de uma boa reserva financeira quanto de apresentar o seu talento ao mercado. 

Com dedicação, a recompensa tem tudo para extrapolar o período. Afinal, quem se destacar com produtos e serviços oferecidos não só leva vantagem sobre concorrentes, como pode ganhar clientes fixos para seguir com os negócios. 

Patrícia Silva, por exemplo, é maquiadora elogiada no mercado. Das mãos dela saem “makes” coloridas que encantam de foliãs comuns a músicos que se apresentam em blocos. 

“À medida que o carnaval cresce na cidade, as pessoas querem se divertir mais produzidas. Representar mais o que desejam levar para as ruas”, diz.

Os valores das maquiagens, que duram em média de 40 minutos a 50 minutos, levam em conta a criatividade e a experiência. Dependendo do serviço, o trabalho dela sai a R$ 150. Neste ano, segundo Patrícia, “a demanda pelo serviço cresceu 20% em relação ao ano passado”.

A maquiadora e um grupo de amigos também aproveitam o Carnaval como cartão de visita para outra atividade: apresentação de músicas em festas de casamento, aniversário etc.

A afinidade dos amigos com os instrumentos musicais desperta interesses durante as performances nos blocos de Carnaval. E costuma render convites para levar a mesma alegria a festas privadas pós-folia. “Temos um grupo de amigos que já toca junto e as pessoas nos contratam. O Carnaval é o cartão de visita. Uma coisa vai levando a outra. O principal objetivo nosso é levar alegria, seja através da maquiagem, da música...”.

Outra que fatura no Carnaval é Luana Andrade, ex-rainha da corte momesca na capital e que, na folia, ganha dinheiro como dançarina de festas organizadas por blocos. “Está uma correria danada. A média é de dois shows por dia. O preço varia de R$ 100 a R$ 200”, conta Luana, que é madrinha de bateria da escola de samba Cidade Jardim. 

Exausta ao fim de cada apresentação, Luana volta para casa pagando por um serviço com o qual Edson Valeriano, de 51 anos, planeja ganhar bom dinheiro neste Carnaval: o de transporte de passageiros. 

Motorista cadastrado em empresas do setor há apenas quatro meses, ele tem a expectativa de levar vários foliões, de hoje a quarta-feira próxima.

Mas o condutor precisará abrir mão da diversão nos blocos: “Será bom tanto para nós, profissionais do volante, quanto para os usuários e, principalmente, para os foliões que vêm de outras cidades”, afirma.

A Belotur só não estimou ainda quanto o Carnaval de Belo Horizonte irá movimentar na cidade.

Bom planejamento amplia faturamento e leva negócios adiante 

“Fazer dinheiro” no Carnaval é uma tentação para muita gente. Mas é algo que exige planejamento, esforço e dedicação. Essa tríplice aliança pode ser o primeiro passo para turbinar a trajetória de quem ganha a vida na informalidade e pretende migrar para o mercado formal.

“O Sebrae Minas preza por lembrar que essa atividade (informalidade) deve ser vista como o início de uma empresa. Pode deixar de ser bico para ser a atividade principal da pessoa”, avalia  Andreza Capelo, analista de atendimento da entidade.

Não basta aproveitar o bloco na rua e oferecer serviços e produtos. Lições de empreendedorismo ajudam a engordar os lucros.

A analista do Sebrae sugere, por exemplo, que a pessoa que enxerga nos cortejos a oportunidade de renda extra vá ao local dos desfiles com pelo menos um dia de antecedência.

“Vou vender algo no Carnaval? Se sim, vou vender em qual bloco? Ele passará por qual trajeto? É importante ficar atento às notícias; se os blocos continuam com agenda válida ou se foram alteradas (devido à possibilidade de chuva ou outro imprevisto, como o problema na documentação dos caminhões de alguns blocos junto ao Detran, o que levou o Juventude Bronzeada a cancelar o cortejo, programado inicialmente para terça-feira). Observe o local, faça o trajeto do bloco e escolha um ótimo local para oferecer seu produto ou serviço”, justifica ela.

É a velha lição: com localizações estratégicas, vendedores se sobressaem sobre os concorrentes. Outra dica é perceber que o folião tem pressa em se divertir. Por isso, agilidade no troco e no uso da máquina do cartão de crédito e de débito é essencial para que o comprador, mesmo que por algumas horas, assegure fidelidade na compra de produtos ou serviços.

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Iniciante nos apps de transporte, Edson prevê muitas viagens até quarta-feira

“No Carnaval, há dois tipos de empresários iniciantes: o informal e aquele que já é formalizado e aproveita a festa para sair da zona de conforto e lucrar um pouco mais. Há ainda muitos ambulantes”, recorda Capelo.

A título de curiosidade, 14.860 pessoas se cadastraram para trabalhar no Carnaval deste ano em Belo Horizonte como ambulante, um crescimento de 13% em relação a 2019, quando 13.111 homens e mulheres foram habilitados. 

O Carnaval de Belo Horizonte 2020 é viabilizado pela prefeitura com patrocínio master de uma marca de cerveja e de três aplicativos nos setores de alimentação e finanças. Juntos, garantirão um valor de R$ 6 milhões em verba direta e outros R$ 8,3 milhões em planilhas de estruturas e serviços, captados por meio de edital.

 

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