A avenida Teresa Cristina, no trecho entre os bairros Carlos Prates e Barro Preto, separa também, numa distância de poucos metros, dois postos de combustíveis que ilustram bem o abismo entre preços encontrados na capital e na região metropolitana. A diferença de 35 centavos no litro de etanol, cobrado por cada um, representa 11,14% de economia para o condutor: no mais barato, de um lado da via, o produto sai a R$ 3,149; no mais caro, atravessando a avenida, a R$ 3,499. 

O último levantamento do site Mercado Mineiro verificou que a diferença de preços em 129 postos da Grande BH chegava a 19,83% para o etanol e a 12,34% para a gasolina. 

Entre os dois postos analisados, no entanto, a diferença da gasolina é bem maior nos centavos por litro, chegando a R$ 0,45. “Com os centavos poupados no dia a dia, você acaba pagando o valor do IPVA”, diz o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu.

Essa economia é significativa para Bruno Lacerda, de 27 anos. Atualmente desempregado, ele faz questão de observar os preços na hora de encher o tanque para percorrer o trajeto entre BH e Ribeirão das Neves. “Gasto uns R$ 200 por semana ao abastecer, então, procurar o menor preço é essencial”. O taxista Argemido Ferreira, de 65 anos, prefere não arriscar muito. “Já tenho um posto de confiança em que abasteço na Pampulha. Não confio em preço muito baixo”.

Já o motoboy Gabriel Aras, de 24 anos, diz sequer prestar atenção no preço. “Nem vejo os centavos. Moto consome menos e eu vou abastecendo aos poucos, no máximo R$ 20, de acordo com o dinheiro que ganho a cada trabalho”, diz.

Taxa de administração
O que justifica tamanha diferença de valores entre os postos, segundo especialistas, é o custo de manutenção dos estabelecimentos. Contam, por exemplo, a taxa de administração dos negócios, o fato de o terreno onde o estabelecimento se situa ser próprio ou alugado e as condições de pagamento oferecidas pelos comerciantes. 

No posto mais barato da Teresa Cristina, gasolina e etanol sobem R$ 0,20 se o pagamento for em crédito. Além disso, alguns postos aceitam cartões de frota, para empresas, que impõem atraso de 40 dias no crédito do dinheiro ao dono do posto – o que interfere na planilha geral de preços .

O gerente do posto Pica Pau, Heberton Martins, lembra, por outro lado, um fator importante que ajuda a baratear o produto nas bombas. “O que nos ajuda a fazer isso é a transportadora, que é nossa. Temos mais de 15 caminhões e isso impacta no valor final”.

Para o coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, cabe ao motorista fazer sua parte para tentar puxar os valores para baixo. “Se todo mundo abastecer em locais com preços melhores, vai estimular revisões nos postos mais caros”, disse.

Em nota, o sindicato dos postos do Estado (Minaspetro) disse não haver tabelamento no setor; portanto, o mercado é livre. “Cada empresário define seu preço de venda, que varia de acordo com inúmeros fatores”, sustentou a entidade.

“O mercado de combustíveis é livre. Cada empresário define seu preço de venda, que varia de acordo com inúmeros fatores, tais como estratégias comerciais, localização, concorrência, entre outros”