Em uma reunião com prefeitos mineiros na tarde desta quarta-feira (30) em Belo Horizonte, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, declarou seu compromisso com Jair Bolsonaro (PSL) e afirmou que acompanha as orientações do presidente do Brasil caso ele decida deixar o PSL.

A crise que divide o partido estabeleceu dois lados, um a favor de Bolsonaro e outro a favor do presidente da legenda, Luciano Bivar. Álvaro Antônio está entre os motivos especulados da divisão, já que uma ala do PSL considera privilegiado o tratamento que o presidente Bolsonaro deu ao ministro nas investigações de candidaturas laranja, diferente do que foi atribuído a Bivar. Álvaro Antônio considera essa impressão um equívoco, já que, nas palavras dele, "acho que não teve ninguém no Brasil mais investigado do que eu nos últimos nove meses", defendeu.

Apesar de afirmar que acompanha as orientações partidárias do presidente da República, o ministro afirmou a saída dele do partido não é o foco e que o esforço no momento é para manter a unidade dentro do partido.

Candidaturas laranja

Indiciado por suspeita de participação em um esquema de candidaturas laranja no Estado, o ministro se declarou injustiçado e disse que foi indiciado em tempo recorde pela teoria do domínio do fato, já que à época era presidente do PSL em Minas. "Fui indiciado em um inquérito de 6600 páginas, com mais de 80 pessoas ouvidas, e em lugar nenhum foi citado meu nome, somente uma mulher do Sul de Minas disse, mas eu provei que não estive com ela na hora que ela disse que eu estive", declarou.

Caso Marielle

O ministro também comentou a repercussão do depoimento do porteiro que envolve o nome de Bolsonaro nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. "Primeiro tem que apurar o fato criminoso do vazamento, que foi um crime para atingir de forma covarde o presidente da República", declarou. Para ele, parte da mídia está insatisfeita com os cortes de repasses bilionários da presidência para publicidade, dinheiro que, segundo o ministro, "agora está sendo investido em saúde, segurança e educação".

Contudo, Marcelo Álvaro Antônio defendeu que o fato narrado na reportagem do Jornal Nacional seja apurado para "provar a completa irresponsabilidade de parte da imprensa".