Zélia Duncan cantando Itamar Assumpção: isso dá repercussão. Com seis canções inéditas e sete reinterpretações de outras menos visitadas do compositor, a cantora contribui mais uma vez - e definitivamente - para tirar dele o rótulo de "maldito" e "difícil" em "Tudo Esclarecido". O álbum estará à venda a partir do dia 27 em três versões (CD normal, digipack e deluxe, com livreto de 40 páginas) e futuramente em vinil.

Nesse papel de, digamos, "popularizar" Itamar Assumpção (1949-2003), não quer dizer que seja um álbum determinado a moldar o gosto ou dar lições sobre ele. "Esse disco é meio como fiz com Eu Me Transformo Em Outras, não segue uma linha de nada, sem vontade de ser didática. Não estou querendo dizer que sou especialista em Itamar", esclarece Zélia. "Fiz o disco porque amo esse cara e me alimentei da música dele a vida inteira. É legal pensar que é simplesmente a continuação de um caminho."

De volta à gravadora Warner Music, em parceria com o selo Duncan Discos, ela teve a primeira música de trabalho, "Tua Boca", distribuída para as rádios na semana passada, e o CD todo pode ser ouvido a partir desta segunda-feira em streaming no site http://sonora.terra.com.br. Todo gravado ao vivo em estúdio, sem firulas, o álbum teve os arranjos feitos em conjunto com Kassin (que dirigiu a produção), Zélia e os músicos Marcelo Jeneci, Pedro Sá, Stephane Sanjuan, Thiago Silva e Christiaan Oyens.

Fluminense de Niterói, quando morou em Brasília, a cantora sentiu à distância o baque estético da chamada vanguarda paulista. Uma vez assimilada a linguagem, passou a alimentar o desejo de se tornar uma das "pastoras" de Itamar, como foram Suzana Salles, Virgínia Rosa, Vânia Bastos, Vange Milliet, Tetê Espíndola e outras, nas bandas Isca de Polícia e Orquídeas do Brasil.

Sem nunca integrar nenhuma das bandas ("era meu sonho de garota"), ela, no entanto, já dividiu o palco. "No dia em que ele saiu do hospital, teve um show no Sesc Pompeia em que estávamos Cássia Eller, Tetê, Ná Ozzetti, eu e uma galera. Ali, junto com elas, fui vocalista dele por um dia", lembra. "Mas eu me sinto sempre uma cantora dele." A cantora o encontrou em outras ocasiões (o encarte traz foto dos dois juntos) e ganhou dele diversas gravações demo, entre as quais uma feita para ela, a inédita "Zélia Mãe Joana".

Tendo Ney Matogrosso e Martinho da Vila como cantores convidados, o que Zélia sugeriu primeiramente a Kassin era que eles fizessem um disco "delicioso de se ouvir". O resultado é nítido, obtido intuitivamente. "A sombra de Itamar quase o estigmatizou. Ao meu ver é uma sombra linda, profunda, mas ficou um pouco com aquela cara de difícil. Só que o que eu canto de Itamar vejo todo mundo cantando comigo", diz Zélia, que já tinha gravado 11 canções dele em outros discos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tudo Esclarecido
Zélia Duncan
Warner Music, R$ 27,90