Os brasileiros, como o resto do mundo, têm motivos para comemorar a vitória de Barack Obama. Ficou menos perigoso viver, pois o presidente reeleito, ao contrário do desafiante Mitt Romney, demonstrou ao longo da campanha preocupações com a preservação da paz e, sobretudo, do meio ambiente.

Renovam-se as esperanças de quatro anos atrás, quando se elegeu o primeiro candidato negro e, por cima, filho de pai africano. No primeiro mandato, o presidente foi envolvido pela grave crise financeira mundial gerada em território americano durante o governo anterior e que castiga ainda a maioria dos países. Num ambiente desses, era impossível cumprir todas as promessas de campanha, mas se observaram avanços em muitas áreas, em benefício da população pobre.

As ideias que distinguem os dois partidos majoritários dos Estados Unidos – o Democrata de Obama e o Republicano de Mitt Romney – nunca estiveram tão radicalizadas como nesta campanha. O mais importante, na visão do primeiro, é que os Estados Unidos não têm condições de continuar recorrendo às armas para submeter o mundo ao império americano. É possível que para o Brasil, em termos comerciais, não fizesse diferença a vitória de um ou outro. Mas o comércio, tal como desejamos, será mais forte se a atual crise econômica for superada e se persistir a paz entre nossos dois mais importantes parceiros – a China e os Estados Unidos. Uma paz que poderia estar ameaçada com uma guerra contra o Irã, como defendia o candidato republicano, em apoio à linha dura israelense.

Os que pretendem explorar nossos recursos naturais sem qualquer empecilho talvez lamentem a derrota de Romney. Mas estes são uma minoria. Não representam nem a vontade dos brasileiros nem dos demais habitantes da terra.

O diálogo, que Barack Obama tanto defende, será mais que nunca necessário. Embora tenha tido uma vitória folgada no Colégio Eleitoral – obteve 303 votos, contra 206 de Romney – na votação popular Obama praticamente viu dividida a votação entre democratas e republicanos, indicando clara divisão entre duas fortes correntes de pensamento. Isso se reflete também na eleição para o Congresso. Os republicanos vão dominar a Câmara dos Representantes e, os democratas, o Senado. Como primeira tarefa, Obama tentará esquecer a acalorada disputa eleitoral, pois precisará dos republicanos para aprovar medidas como redução do déficit, mudanças nos impostos e melhoria das leis de imigração.