De carros de luxo a sucata destinada ao ferro velho. De vasos sanitários a apartamentos em cidades à beira mar, passando por eletroeletrônicos, obras de arte, joias, equipamentos industriais e até iates e helicópteros. De tudo um pouco se encontra no universo dos leilões, que, em tempos de crise, atraem cada vez mais interessados e ampliam o portfólio de produtos ofertados, com descontos que chegam a 70% em relação aos preços de mercado.

Com sede em São Paulo e uma filial em BH, a Sold, empresa de leilão, fechou 2017 com crescimento de 35% no faturamento e aumento de 60% no volume de pregões, totalizando cerca de R$ 250 milhões em vendas. É o que detalha o leiloeiro oficial da empresa, Henri Zylberstajn, que já negociou desde itens que compunham o império de Eike Batista até objetos e equipamentos envolvidos nas Olimpíadas do Rio e na Copa de 2014.

“Estamos no terceiro ano de crise e ela só fez com que o volume de bens disponibilizados para leilões aumentasse. Houve, por exemplo, empresas reduzindo parte do quadro de máquinas para ter mais dinheiro disponível”, diz ele.

Devido ao aumento da inadimplência nos financiamentos habitacionais, que leva ao confisco dos bens pelos bancos, a categoria de imóveis foi a que mais se destacou. “Tivemos crescimento de quase 100% nos leilões de imóveis no ano passado, algo em torno de 60 por mês”, calcula Zylberstajn.

Com parte das operações focada no setor imobiliário, realizando ações para a Caixa em todo o país, a belo-horizontina GP viu crescimento de 26,6% no número de leilões em 2017, passando de 240, em 2016, para 304, no ano passado.

“O leilão hoje é muito abrangente, acontece de forma eletrônica, com participação nacional dos interessados. E este tem sido um ótimo momento para compras. É lógico que a pessoa deve verificar a mercadoria. Pela fotografia nos sites das leiloeiras é possível visualizar e ter segurança. Mas todo leilão tem data de visitação e é importante ir a elas”, diz Gustavo Aguiar Oliveira, leiloeiro da GP Leilões. No currículo, ele carrega desde a oferta de equipamentos das sobras da usina de Jirau, em Rondônia, até as vaquinhas de fibra de vidro da exposição de arte urbana CowParade.

Na área de veículos apreendidos pelo Detran-MG, a oferta também cresceu após a redução do prazo máximo de guarda em depósito de 90 para 60 dias, conforme conta Paulo César Agostinho, da Agostinho Leilões, dedicada ao segmento.

“A oferta de veículos tem sido maior, mas a disputa por eles também aumentou. As pessoas deixam de conseguir descontos de 60%, mas conseguem 50%, por exemplo. Ainda que elas tenham que fazer algum serviço de lanternagem, o custo é vantajoso”, diz.

Cuidados

Além da visitação aos itens, uma recomendação é de que os interessados nos leilões leiam atentamente os editais. Assim é possível saber, por exemplo, se os imóveis que vão ser leiloados ainda estão ocupados e se há processos judiciais em tramitação envolvendo os bens, antigos proprietários e bancos. No caso de bens de maior valor, o ideal é ter um advogado acompanhando o processo.

Outro cuidado é que os bens não têm garantia. Se no momento da retirada houver algo diferente do que foi anunciado, a recomendação é não retirá-los.

Arte Leilão