A secretária de Educação de Belo Horizonte, Ângela Dalben enviou à Câmara Municipal um pedido de investigação contra o vereador Jair Di Gregório (PP) por quebra de decoro parlamentar. O documento foi encaminhado, ao presidente da Casa, Henrique Braga (PSDB), e tem por base um vídeo feito por Jair no último dia 4 e veiculado em redes sociais, no qual ele exibe uma professora e uma turma de alunos da rede municipal que haviam acabado de deixar o Palácio das Artes.

O vídeo faz parte da campanha de Jair contra a exposição “Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina”, do já falecido artista plástico Pedro Moraleida, realizada no Palácio e com classificação etária para maiores de 18 anos.

A professora havia levado as crianças para assistir a uma mostra de curtas. “Os alunos que apareceram no supracitado vídeo não compareceram ao Palácio das Artes para atividades da Exposição Referida. Tal conduta praticada pelo edil (Jair) fere o decoro parlamentar”, diz a carta da secretária de Educação.

Ainda segundo Ângela, “vislumbra-se flagrante crime contra a honra da professora e da imagem dos alunos, acusados, erroneamente, de participarem de evento inadequado à faixa etária dos mesmos”.

No caso das crianças, a exposição inadequada da imagem no vídeo levaria à tratamento vexatório e constrangedor, ferindo os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente, afirma a secretária.

Mal entendido

Para Jair Di Gregório (PP), o que houve foi um mal-entendido. “Eu soltei uma nota com relação à professora, inocentando ela, porque ela realmente fala que não estava na mostra do Pedro Moraleida. Ela disse isso no vídeo. Mas isso não inutiliza o recinto pecaminoso que promoveram para receber as crianças de BH. Não só colocaram a mostra do Pedro Moraleida, mas uma mostra de curtas, coisas para chamar as crianças para o ambiente”, justifica.

Caso o presidente da Câmara entenda que o pedido de investigação contra Jair Di Gregório deva prosseguir, o caso será analisado pelo corregedor da Câmara, o vereador Reinaldo Gomes (PMDB). “A princípio, pelo o que eu vi no vídeo, o vereador abordou a professora junto com as crianças e ela disse que voltava do Palácio. Acho que faltou um pouco mais de informação e houve mal entendido”, diz Reinaldo.

O líder de governo, Léo-Burguês (PSL), avalia que a carta da secretária foi importante para deixar claro que as crianças não participaram do evento.

Ontem, durante a sessão, vereadores de esquerda buscaram obstruir a pauta de votação, pedindo uma reunião com o prefeito Alexandre Kalil (PHS) para discutir a situação do veto à políticas de gênero nas escolas.