A indústria mineira mostra sinais de recuperação e deve fechar o ano no positivo. A tendência é de desaceleração no ritmo da queda que vem ocorrendo desde 2015.

Influenciada pelos bons desempenhos da indústria automotiva, com aumento na demanda interna, a indústria, contudo, ainda derrapa na criação de empregos, que não segue a mesmo ritmo de recuperação das horas trabalhadas e da capacidade utilizada.

O cenário foi antecipado ontem, em coletiva na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), com projeção de alta no faturamento real do setor de 0,29% para todo 2017, em relação ao ano passado. Em 2016, o tombo foi de 11,6%.

De acordo com o superintendente de Ambiente de Negócios, Guilherme Leão, os números da Fiemg seguem a tendência de outras pesquisas, que mostram uma recuperação ampla. “Uma série de variáveis nos permite dizer que estamos tendo de fato uma retomada da atividade produtiva e da atividade econômica de uma forma geral, na economia brasileira e mineira”, observou o economista.

Emprego

No acumulado de janeiro a agosto, as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 1,1%, enquanto o emprego caiu 5,7%. De acordo com Leão, isso significa uma maior produtividade. “Quando a gente olha um modelo desse de retomada da produção e do faturamento, o emprego tendo uma evolução menor, estamos falando em ganho de produtividade e isso é essencial para a indústria. Estamos falamos de mais geração de valor e mais geração de produção por unidade de trabalho”, disse, enumerando as inovações, melhorias em linhas de produção e até mesmo substituição de empregados por maquinários.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do IBGE, no entanto, a expectativa é a de criação de vagas. “Enquanto em 2016 a indústria geral demitiu em Minas 70.478 pessoas, neste ano ela já contratou 15.769 trabalhadores no período de janeiro a julho. É um claro processo de recuperação da economia”, afirmou.

Segmentos

A melhora no consumo das famílias também impulsionou a indústria automotiva no Estado, que cresceu 0,9% em produção de janeiro a julho de 2017, ante igual período de 2016. “Não só as exportações continuam crescendo, mas percebemos que as vendas no mercado interno foram retomadas”, disse.