Os publicitários e ex-sócios Marcos Valério Fernandes de Souza, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach foram interrogados nesta sexta (7), no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, no âmbito do processo do mensalão tucano. As acusações que pesam sobre os três réus são peculato (apropriação de recursos públicos) e lavagem de dinheiro. Os crimes teriam sido cometidos por meio de contratos irregulares com estatais mineiras. O dinheiro teria abastecido a campanha de reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998.

Marcos Valério chegou algemado ao fórum. A defesa chegou a pedir o adiamento do interrogatório no início da sessão por conta da negociação de delação premiada com a Polícia Federal, mas não foi atendida.

O Ministério Público estadual denunciou que R$ 3 milhões foram desviados das estatais Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a então Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) para a empresa de publicidade SMP&B, da qual os três réus eram sócios. O dinheiro havia sido declarado como verba de patrocínio para o Enduro da Independência, mas sem contrato ou licitação.

O MP diz que o dinheiro foi usado na campanha de Eduardo Azeredo. Na época, Azeredo perdeu a eleição para Itamar Franco (PMDB).

Penas
Azeredo já foi condenado a 20 anos de prisão em primeira instância, mas recorreu da sentença e aguarda novo julgamento em liberdade.
Marcos Valério já foi condenado a 37 anos de prisão por participação no mensalão do PT. Ele está preso desde 2013 em regime fechado na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Ele também é réu em um dos processos da operação “Lava Jato”, que investiga desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras.

Ramon Hollerbach foi condenado a 27 anos, quatro meses e 20 dias de prisão pelos crimes de corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato no mensalão do PT e cumpre pena na Associação de Proteção ao Condenado (Apac) de Nova Lima.

Já Cristiano Paz foi condenado a 23 anos, 8 meses e 20 dias pelos crimes de corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro no mensalão do PT. Atualmente, ele cumpre pena em regime semiaberto na Associação de Proteção ao Condenado (Apac) de Nova Lima.