O operador do mensalão do PT e do PSDB, Marcos Valério, prestou depoimento ao Ministério Público Estadual (MPE) na tarde desta quarta-feira (28). Valério negocia delação premiada no caso do mensalão tucano, mensalão do PT e também na operação "Lava Jato". Segundo o advogado do publicitário, Jean Kobayashi, a delação envolveria pessoas de vários estados, além de nomes do executivo, do legislativo e, até mesmo, do judiciário. 

Ele ficou no órgão por mais de 4h e foi ouvido por procuradores federais e pelos promotores que analisam o pedido. Um relatório será formulado e enviado ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. A expectativa da defesa é a de que a delação seja homologada em breve. "Tudo o que o Marcos Valério falou em 2012 foi comprovado com a prisão de Bumlai e Palocci, por exemplo", disse Kobayashi. 

Na época, mais de 20 nomes entre pessoas com e sem fórum privilegiado foram citados por Valério. Em troca de dar mais informações sobre o sistema de corrupção que financiou a campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, em 1998, o operador quer ser transferido para a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). 

A defesa acredita que ele terá mais segurança no local. O publicitário está preso desde novembro de 2013 na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde cumpre pena de quase 40 anos por operar o Mensalão do PT.

Encontro com Moro

Em depoimento em Curitiba no último dia 12, ele afirmou ao juiz Sérgio Moro que Lula era chantageado em Santo André. O autor da chantagem e o motivo não foram informados. Segundo o condenado, a vida dele corria perigo. "Marcos Valério vai dizer tudo na delação", garantiu Kobayashi. 

Os ex-ministros do PT José Dirceu e Gilberto Carvalho também estariam sofrendo extorsão na cidade paulista, conforme afirma Valério. As chantagens, segundo a investigação, têm relação com a morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André, em 2002.