A expansão de 167% dos investimentos em infraestrutura entre 2007 e 2014 não foram suficientes para compensar as perdas do setor no longo prazo. A constatação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um estudo da instituição aponta que, nos últimos 43 anos, os investimentos em transporte, saneamento, telecomunicações e eletricidade tiveram uma redução de 60% em relação ao PIB.

Nesse contexto, o setor de energia elétrica teve a maior perda, cerca de 69,9% do PIB entre 1971 e 2014, de acordo com o levantamento. Além dos entraves burocráticos, a fragilidade jurídica das operações também contribuiu para redução dos investimentos no segmento.

O membro do Instituto de Desenvolvimento do Setor Energético (Ilumina) e consultor Roberto D’Araújo explica que a Medida Provisória 579 mudou as diretrizes de renovação das concessões e levou as distribuidoras de energia a buscarem empréstimos. No entanto, para pagar os recursos, houve aumento de tarifas.

“Essa medida matou a possibilidade de que usinas antigas gerassem recursos para financiar usinas novas, o que seria a melhor maneira de investimento para o setor. No caso, a Eletrobras perdeu 70% do valor e isso reflete um problema bastante amplo, que atinge todo segmento de energia”, avalia.

Investimento
Hoje, segundo dados da CNI, o país deveria investir pelo menos 4% do PIB por 20 anos para chegar ao mesmo nível de países economicamente semelhantes. Porém, com a economia em recessão, os níveis de investimentos recuaram para 18,2% do PIB em 2015, enquanto o componente de infraestrutura contraiu para 1,8%.

Diante de um cenário de baixa expectativa de recuperação em um curto prazo, entidades representativas do setor produtivo apostam na iniciativa privada para uma reversão do quadro de estagnação.

O gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, defende a maior participação privada no investimento e na gestão dos empreendimentos. “É preciso promover uma mudança significativa do investimento em infraestrutura, levando o protagonismo para o setor privado”, afirma.

Pré-sal
O debate sobre o futuro do pré-sal também representa uma luz no fim do túnel para a retomada dos investimentos em infraestrutura no país. O secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República, Moreira Franco, defende mudanças na autonomia da Petrobras sobre o tema.

“Hoje, todo o pré-sal depende do fluxo de caixa, do patamar de endividamento e da estratégia de negócios da Petrobras. Com a aprovação do projeto que tramita na Congresso, essas obrigações são extintas. A Petrobras terá preferência para explorar o que lhe for interessante em sua estratégia comercial, mas as aéreas estarão abertas aos outros participantes do mercado. Isso acabará beneficiando a cadeia inteira da infraestrutura”, explica.

 



Medo do desemprego é o mais alto em 17 anos, diz CNI.
No mês passado, o índice atingiu
108,5 pontos