A crise no setor de siderurgia é global, mas a da Usiminas é interna. Classificada pelo mercado como “briga de egos”, a desavença entre seus principais sócios pelo poder é apontada como o trampolim para a insolvência. O presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e ex-presidente da Usiminas (2008-2010), Marco Antônio Castello Branco, disse que o governador Fernando Pimentel (PT) tem se reunido com os sócios da empresa e que a necessidade emergencial é de um aporte entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

Os recursos, que não viriam de apoio estatal, mas de um processo de aumento de capital, deveriam sair dos cofres ou da japonesa Nippon, que detém 29,45% do controle acionário da empresa, ou do grupo argentino Ternium, dono de outros 27,66%. A Ternium estaria disposta a investir, mas exigiria uma prévia reforma do Acordo de Acionistas, como forma de viabilizar o retorno de seus indicados à presidência da empresa. A Nippon rejeitaria essa possibilidade, e esse é o nó que impede uma solução e agrava a crise da empresa. O aumento de capital exige consenso em uma assembleia de acionistas.

Saída

A negociação envolveria também uma cláusula de saída. “Se um plano de reestruturação for colocado em prática e não surtir efeito, um acionista compra as ações do outro”, disse Castello Branco. De acordo com ele, a participação do governo tem sido de mediador nas conversas, mas “as coisas não têm sido muito fáceis”.

A Usiminas também trabalha, segundo ele, na tentativa de renegociar e alongar o pagamento de suas dívidas. Um pool de bancos seria formado, incluindo o BDMG. “Claro que o BDMG não tem fôlego para salvar a Usiminas, mas participaria de alguma forma”, disse Castello Branco.

O presidente do Instituto Mineiro do Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, defende que o governo compre participação na companhia em uma tentativa de impedir sua insolvência. “O governo de Minas não pode se dar ao luxo de ver uma empresa como a Usiminas deixar de existir, que é o que vai acabar acontecendo. Além de tentar resolver essa briga de egos entre os sócios da empresa, o governo pode entrar como sócio também”, afirmou.

Para Ângelo, a atuação de Castello Branco é positiva, mas a ações devem ocorrer de forma mais imediata e coordenada com a União. “São necessárias ações no sentido de garantir mercado também, como a taxação da importação, afinal estamos em uma situação extraordinária. Isso caberia ao governo federal”, afirmou.

Socorro

O analista Pedro Galdi, da Galdi Investimentos e Consultoria, também entende como importante tanto a participação do governo como a urgência em um plano de reestruturação. “Só a venda de ativos não vai resolver a situação, a Usiminas também quer rolar dívidas e não encontra crédito nos bancos. Tem que resolver isso rápido porque a situação só vai piorando, e a dívida, crescendo. O governo participa porque já sofre com a paralisação da Samarco e a menor produção da Vale de minério mais nobre. O iminente colapso da Usiminas é mais um soco no estômago”, disse.

De dezembro de 2014 até setembro de 2015, a Usiminas contabiliza um aumento de 48% em seu endividamento líquido, que atingiu R$ 5,7 bilhões.