O mercado imobiliário andou pra trás em 2015. O volume de vendas encolheu, o estoque de empregos na construção civil despencou e a confiança dos empresários minguou. E o ano novo já começa com a sensação de que os plantões de vendas de imóveis devem continuar às moscas, pelo menos até o segundo semestre.

“A construção civil e o setor imobiliário caminham no ritmo da economia. O mercado reage aos estímulos que são dados. A demanda existe e o déficit habitacional do país de mais de 5 milhões de unidades é prova disso. Entretanto, o consumidor precisa de emprego, de financiamento e de uma economia estável para comprar. Da mesma forma, os empresários reagem ao estímulo dessa demanda. E, por isso, vislumbramos que 2016 também não será um ano fácil”, diz o vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), José Francisco Couto de Araújo Cançado.

Segundo ele, com a inflação corroendo os salários, os juros nas alturas e o crédito escasso, empresários e consumidores estão em compasso de espera.

“Não se pode falar no número de lançamentos que acontecerão, pois eles irão sair do papel à medida que a economia voltar a caminhar. É difícil realizar lançamentos num cenário volátil e instável como o país está vivenciando”, afirma.

De acordo com o vice-presidente do Sinduscon-MG, tudo leva a crer que o primeiro trimestre deste ano terá ainda menos lançamentos que no igual período de 2015, quando já houve um recuo em relação a 2014.

“As construtoras retraíram os lançamentos em 2015 e esta é a perspectiva para 2016”, diz a vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG), Cássia Ximenes.

Segundo ela, o ano passado foi como um choque de realidade. “As pessoas estão pesquisando mais. Só compraram porque precisaram, casaram, separaram ou tiveram filhos. A troca pela troca está esperando e deve continuar assim pelo menos pelos próximos meses”, avalia.

Para o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Kênio Pereira, a falta de estabilidade na economia e a dificuldade na obtenção de crédito imobiliário continuarão a fazer com que o brasileiro deixe a realização do sonho da casa própria para depois.